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segunda-feira, outubro 12, 2009

Twilight

Taras e manias há muitas, perguntem ao Marco Paulo.
Aí há uns meses comprei o primeiro volume de Stephanie Meyer, por duas razões, gosto de vampiros e o hype deixou-me curioso.
Li o livro com um travo de desgosto e de pena. O livro é fraquito, demasiado juvenil, uma valente perda de tempo, com excepção das últimas 100 páginas que acabam por deixar um gosto agridoce em vez da bílis. A única coisa que guardo do livro são as angústias e expectativas da adolescente fixada no vampiro bom (no sentido de ser um naco gostoso, um pão).
Emprestei o livro a uma amiga minha, mais nova e, como era expectável, ela adorou, tendo comprado os restantes livros da saga. Educadamente recusei quando ela se preparou para mos emprestar.
Anteontem, gravei crepúsculo e comecei a vê-lo com a esposa. Em meia hora estava a dormir.
Os actores são maus, ainda que bonitinhos, o estilo tende a querer ser algo que não é, parece um filme indy, parece querer ser dark, com toda aquela cromática, mas nunca chega a ser nada a não ser uma piada de mau gosto. Os cabelinhos a voar, os personagens muito lidos, a música que tenta ser atmosférica, porra! (ora tomem lá um pontinho de exclamação), Até a fraquita (hoje) Kindred, the Embraced, consegue pôr isto em KO técnico em menos de 10 segundos. Que os adolescentes imberbes se sintam motivados a fazer disto um sucesso mundial, eu percebo, que alguns amigos meus, com idade para ter juízo e bom senso, se juntem ao grupo, confesso que não percebo.
Cinematograficamente nem vale a pena referir filmes de vampiros melhor do que estes, infelizmente impróprios (pelo menos gosto de pensar que sim) para adolescentes com o cio. Literariamente, prefiro os desvarios de Charlotte Harris, com True Blood, ainda que não tenha paciência para a sensualidade desbragada, mas pelo menos sei para o que é que vou.
Querem vampiros? Fiquem-se pelo Bram Stoker, pelos diferentes 30 days of night e pelo The Strain do del Toro. Tudo o resto é...futilidades adolescentes.

terça-feira, maio 27, 2008


Uma das melhores BDs de sempre está a chegar ao cinema. Dificilmente o filme captará os inúmeros níveis de interpretação da obra, mas esta primeira imagem dos Minutemen faz-me salivar.
Em 2009, Watchmen.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

A vida é um Milagre de Emir Kusturica

Nada como começar com uma citação, e quando esta é de Sylvester Stallone parece que o caldo entornou.
“Tinha um discurso em “John Rambo” e cortei-o. Falava como a guerra é a consequência dos actos de uma série de homens que estão no topo, mas na verdade ela não é a nossa guerra. São velhos que começam a guerra, jovens que lutam na guerra e ninguém vence. Toda a gente morre.”
A vida é um Milagre é um pouco assim, embora a guerra esteja simultaneamente ausente e omnipresente.
Esta guerra não é tua, nem é minha - diz a determinada altura uma das personagens, um capitão. E a realidade é que as personagens vivem uma guerra que não é a delas.
Não se trata de um filme de guerra, ou sobre a guerra, é antes demais um filme anti-guerra. Em que as personagens são transformadas por esta, mas em primeiro lugar são pessoas descritas com as qualidades que têm e que vivem em primeiro lugar por culpa das suas características e qualidades, sendo a guerra o cenário e pouco mais. AS personagens elevam-se em relação a esta.
Há imensas, demasiadas dicotomias para as assinalar a todas. Há a pomba no canhão do tanque. Há as dicotomias campo/cidade. Aliás, uma das características do cinema dos Balcãs interpretam muitas vezes a guerra como o confronto entre urbanos (civilizados) e campesinato (pouco ou nada civilizados). Kusturica tende a ter uma interpretação diferente e a colocar as suas personagens em contraste com estas duas ideias. Normalmente são personagens urbanas (mesmo quando esta é pequena), mas vemos as suas raízes rurais, ou a sua luta à lupa da vida campestre.
E isso é verdade neste filme. A mulher da personagem principal e filho zangam-se amiúdamente com pai por estarem longe da cidade, o que os impede de levar a cabo as suas carreiras. O caminho de ferro que é encarado como uma ponte para a civilização é atacado pela dicotomia, já que serve, muitas das vezes, para o tráfico de drogas e armas.
O resto é um filme com as características Kusturicanianas. Os animais que tomam conta do filme. A burra apaixonada, que chora e procura a morte. A música que é uma personagem per si, que nos eleva quando a história nos poderia socar com violência, o psicadelismo das situações e das imagens mais a música, das situações.
Depois há as críticas, mais ou menos, mordazes. A crítica aos alemães, aos media sensacionalistas e à Onu, no filme, os soldados, pouco mais são do que meras caricaturas.
No fim não é a morte que dói, é viver. E por vezes esquecemos a mensagem positiva do título, A Vida é um Milagre, como diz uma das personagens logo no início, quando um pinto nasce.
“Ao homem é dada razão para controlar os sentimentos” diz alguém. Mas, ao longo do filme vemos como a frase é ridicularizada pelos acontecimentos que deram origem e continuidade à guerra.
A vida é um Milagre é também um relembrar de que individualmente podemos fazer a diferença. E vivemos numa Europa que é um autêntico barril de pólvora. Bascos, protestantes e católicos, minorias étnicas e religiosas, entre outros, perfazem alguns dos problemas de hoje. E por vezes, não podemos depender dos “velhos” que estão no poder.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Cloverfield


Não resisti e fui ver o filme mais falado dos últimos tempos.
Mais uma vez, os tradutores portugueses decidem acrescentar algo ao título, e temos Nome de Código: Cloverfield. Whatever...não deviam ter mais nada que fazer, e deixar ficar só Cloverfield devia ser complicado...

Li alguma coisa antes (não muito para não estragar) e depois.
Os interessados devem saber a história, Nova Iorque é atacada por um monstro. Aquilo que vemos são as filmagens de alguém que esteve sempre com a máquina a filmar.
Por isso, foi comparado a Blair Witch Project. É a única coisa que aproxima os filmes, este é bem melhor. Mas preparem-se para uma ou outra dor de cabeça, porque quando é para tremer e desfocar não ficamos decepcionados. Escolham os lugares mais de trás.
E esqueçam a ideia de que é um filme de monstros, ou melhor esqueçam BI do monstro. Não interessa, o filme não é sobre ele, é sobre o que ele causa, especificamente a um determinado grupo de amigos, e a forma como reagem, sobre o medo, e o amor.
Lembram-se do Titanic? Em que para vermos o barco ir ao fundo tínhamos de gramar com 2 horas e tal de amor e tragédia? E quando o barco ia ao fundo eu já agoniava? Aqui nada disso se passa. Há um relacionamento em pano de fundo, mas não toma o lugar do filme, da busca, da fuga, da sobrevivência. Tem diálogos, acção e trama ao contrário de Blair Witch.
E não há lugar, ainda bem, para personagens demasiado nervosas.
O filme joga bem entre o que se vai vendo ou não, o que em relação ao bicho é essencial.
O filme criou muito hype, e mereceu-o. Não me senti minimamente defraudado, e há-de haver muita coisa para descobrir com mais calma, quando sair em dvd.

Se já o viram, vejam a página na Wikipédia que vos dá um enorme rol de informações. As mais interessantes, na minha opinião, são as que dizem respeito ao marketing e subplots que JJ Adams nos habituou.

8.5/10

terça-feira, janeiro 22, 2008

Dot-Com

Vi, ontem, o filme pela 3ª vez.
É assim tão bom?
Não é e, ao mesmo tempo, é.
Filmes portugueses sem maminhas (sexo) ou asneirada a torto e a direito são uma miragem.
Este não tem sexo, e poucas asneiras. Continuo a achar que o sucesso de filmes como Corrupção ou Call Girl (que não vi) se deve mais aos atributos físicos da actriz, do que ao conteúdo do filme. Infelizmente, os portugueses só vão ao cinema ver filmes do burgo se estes mostrarem carne. O que a mim não me choca, é a evolução natural das revistas choque e cor-de-rosa. Enfim...
Gosto de Dot-Com porque nos mostra que podemos fazer um filme, sem grandes condições de produção, que nos faça rir e ao mesmo tempo que nos pinte como realmente somos.
É um filme simples, uma comédia engraçada (que é cada vez mais difícil de fazer), mas que fica a milhas do filão Malucos do riso.
A questão é se podemos fazer filmes? Claro. Mas há que ter sabedoria para discernir o quê e o como. Já percebemos que temos alguns realizadores interessantes. Falta o graveto, e muitas vezes os textos. Queremos fazer CINEMA, mas faltam-nos as cordas para podermos tocar.
Dot-Com prova que com tempo e jeito podemos fazer cinema com alguma qualidade, que agrade a muitos espectadores. Pena que muitos não o tenham percebido, e o tenham deixado passar despercebido.
Mas, está aí em venda directa. Aproveitem...

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Ocean´s 13


Ocean´s 13.
Não tive oportunidade de o ver em cinema e só ontem consegui vê-lo em DVD.
Admito que gosto muito dos 3 filmes, por razões diferentes e de modos diferentes.
Achei o primeiro um filme quase perfeito. Gostei imenso da estilização da realização, da finesse, de imensos pormenores, do requinte, do humor, da ideia de que já não se faziam filmes com elencos daqueles (pois...), enfim, gostei muito.
O que me agradou no segundo foi a fórmula de gozo próprio que o argumento adoptava. Notava-se o prazer e as piadas eram irresistíveis, o que muitos detestaram foi o que me agradou.
O terceiro é um misto dos dois. Não será o melhor dos três, na minha opinião, mas traz o melhor dos três. A primeira meia hora é a preparação do roubo, e vemos as diferentes formas e dificuldades, há o sentido de humor típico e usual, e há os meus momentos favoritos, que são as conversas entre Clooney e Pitt sobre as esposas. E o momento definidor, em que Clooney e Pitt choram ao ver um talk-show.
E como a imagem documenta, David Holmes é David Holmes. Melhor, na minha opinião, que a OST do 2º filme. Mas, sempre de qualidade.
7.5/10

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Política nos ecrãs


Depois de, no dia de ontem, ter dado espaço à BD americana, deixem-me ocupar algum do vosso tempo a tratar sobre política (a americana, especificamente).
Iowa apareceu durante largos minutos nos nossos ecrãs e nas páginas do jornal. Começam a ser escolhidos os candidatos de cada partido até às 2 escolhas finais.
Devo admitir que já tinha passado pelo Iowa há mais ou menos duas semanas, e que embora as eleições estejam longe do fim, já sei quem vai ser o próximo presidente dos EUA - Matt Santos!
Hum? Ando a ver a 6ª série de The West Wing, e ainda que não atinja os níveis de qualidade das primeiras quatro, é substancialmente melhor que a anterior. Para além da qualidade, torna-se interessante ver esta 6ª série, neste determinado momento, já que nos ajuda a compreender um pouco melhor o modelo e estilo da política norte-americana e, de forma específica, o modelo das eleições americanas, o poder dos media e a influência das campanhas de fundos.
Ora, uma das razões (ou a razão, a bem da verdade) que me levou a ver Charlie Wilson´s War (Jogos de Poder, em português) foi o argumento ser da autoria de Aaron Sorkin, o criador, e um dos argumentistas das primeiras 4 séries, de Os Homens do Presidente.
O que requereu uma certa dose de sacrifício, já que Tom Hanks é um dos actores menos queridos por estas bandas.
Comecemos pela história. Charlie Wilson´s War (CWW) conta a história de um Congressista Democrata, pouco conhecido e importante, que consegue fundos suficientes para armar os "mujahideen" no Afeganistão, na sua luta contra o exército Soviético, em plena Guerra Fria.
Wilson (Hanks) é ajudado/guiado por uma rica texana, Joanne Herring (Julia Roberts), e por um agente da CIA, Gust Avrakotos(Philip Seymour Hoffman).
O filme mostra-nos os meios pelos quais Wilson se movimentava, não só as alas do Congresso e as trocas de ajuda entre congressistas (uma das suas maiores virtudes para arranjar os fundos necessários), mas também as festas desbragadas e o gosto de Wilson por mulheres - as cenas com as suas assistentes, e as reacções que estas despoletam, são hilariantes.
Os jogos de poder (que o título em português retrata), o peso da religião ou uso do nome de Deus na política americana, o poder dos media e os acordos entre inimigos (por ex. Israel e Egipto) são alguns dos temas abordados no filme.
O filme está nomeado para os Globos de Ouro, na categoria de melhor comédia, mas tenho dificuldades em catologá-lo como tal. Para quem viu Os Homens do Presidente, sabe que não se tratava de uma série de comédia, embora houvesse mais momentos de comédia do que em muitas sitcoms. Esta é uma das impressões digitais de Sorkin.
Embora tenha gostado do filme, fiquei ligeiramente decepcionado pela ausência da incontinência verbal típica de Sorkin. Estão lá alguns dos temas preferidos do autor, a questão da guerra, a religião e o humor. Sorkin é verborreico, mas é-o sem que o espectador perca o fio à meada, coisa que não acontece, por exemplo, em Lions for Lambs, que a meio dos diálogos nos perdemos nas implicações. Daí que a expectativa gorada possa não perder por causa disso mesmo.
CWW dá-nos um retrato humano de cada uma das personagens principais. As razões de Wilson para o financiamento estarão demasiado pintadas a cor-de-rosa. Terá havido mais política por trás do financiamento (era o inimigo da Guerra Fria que queriam derrotar) do que razões humanitárias, mas enfim. Está documentado, por alguns dos actores no plano político de então, que um dos objectivos do financiamento era o de levar os Soviéticos a sofrer uma guerra em tudo parecida com a do Vietnam.
O filme foi criticado, por políticos do Governo Reagan, por promover a ideia de que a operação levou ao financiamento e fortalecimento de grupos como a Al-Qaeda e de indivíduos como Osama bin Laden.
E embora isto fique na mente dos espectadores, a mensagem final é mais ácida e real, nem que seja por ser a final.
A de que os Americanos se envolvem demasiado no campo de batalha e que voltam assim que as ofensivas terminam, deixando os autóctones perdidos e sem um guia à altura. É aí que o filme termina, na tentativa de Wilson angariar mais fundos para contruir estradas e escolas, perante o desinteresse totale vendo o adágio de Gust tornar-se realidade.
É uma mensagem política, numa altura em que se fala da retirada do Iraque e preventiva, olhando e relembrando o passado recente. Parafraseando, de novo, Gust - veremos.
Julia Roberts não me convenceu por aí além, continuo a ter dificuldades em ver filmes com Tom Hanks, mas por momentos esqueci-me do "ódio simpático" que nutro pelo tipo, e Hoffman "is on fire".
Concluindo, vale a pena ver este CWW?
Quando comparado com, o já citado, Lions for Lambs ganha. CWW tinha tudo para ser um filme chato, mas não o é, contra todas as expectativas.
Faltará, para mim, um je ne se quois para ser um grande filme, mas entretém, o que já não é mau. Do ponto de vista político, é menos directo e apologista que o filme de Redford e provavelmente melhor por causa disso mesmo.
7.5/10


quarta-feira, dezembro 12, 2007

Pedro Costa Premiado

Pedro Costa ganhou o reconhecimento americano, em Los Angeles, onde o seu filme, Juventude em Marcha, foi considerado o melhor filme independente estreado este ano nos EUA.
Ora, gostos não se discutem, lamentam-se e deixem-me lá dar, por obséquio, a minha opinião.
Desde já, esclareço que não vi o filme em causa. Fui ao cinema ver o Ossos, e a senhora olhava para mim, atónita, enquanto lhe dava algumas razões para me devolver o dinheiro gasto no bilhete, após a projecção deste.
Com base no Ossos tenho algumas dificuldades com o cinema de Pedro Costa. É demasiado contemplativo. Venham as más línguas dizer mal do Manuel de Oliveira, falar da dezena de minutos que a árvore lhes é mostrada, que eu amarro-os e levo-os a uma sessão (bem amarrados e mal aconchegados) de Ossos. Na minha óptica quase nada acontece em Ossos, para outros essa é uma das suas qualidades, a forma como nos mostra a realidade e nos dá um murro no estômago. Pois sim, murro no estômago queria eu dar, aos cinéfilos que deram mais de uma estrela ao filme, à senhora que me dizia que não me podia devolver o dinheiro do bilhete (não, não bato em mulheres. Mas, ficam a ver o que o filme pode fazer a um gajo).
Depois, há os diálogos, riquíssimos e abundantes (obviamente que é o contrário que acontece).
"Olá!"
"Olá!"
"Tás bom?"
"Tou. E tu?"
"Também"
"Que fazes?"
Seis frases que levarão em média cerca de 10 minutos a serem ditas e absorvidas pelo espectador. Manuel de Oliveira, o tanas!
10 minutos? Para um diálogo destes?
Voltando ao início. Pedro Costa ganhou um prémio. Parabéns!
Parece que houve uma enorme ovação, nos EUA, após o visionamento do filme. E que tem isto de extraordinário? Também eu fiz uma festa do catano quando o filme acabou. E não foi por ter gostado do mesmo.
Enfim...se o tipo é tão bom, dêem-lhe umas coroas, deixem-no filmar por aí e batam-lhe palmas. Mas, não nos tentem convencer de nada. Não é preciso. Eu, já estou convencido.
Estuchas destas, nem morto.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Peões em Jogo (Lambs for Lions)


Mais um bilhete para uma ante-estreia. E lá fui eu, ao São Jorge (há séculos que não ia lá), ver Lions for Lambs ou, no vernáculo nacional, Peões em Jogo.

O mais recente filme de Robert Redford trata da Guerra, no Iraque, no Afeganistão, da Guerra dos políticos, dos soldados, dos jornalistas, do que é e da forma como a vemos, cada um no seu cantinho.
O filme é contado em tempo real, e a partir de 3 histórias diferentes.
Seguimos dois soldados, Arian e Ernest, na mais recente tentativa de vencer a guerra no Afeganistão.
Assistimos a uma entrevista entre a jornalista de televisão Janine Roth (Meryl Streep) e o Senador Republicano Jasper Irving (Tom Cruise). Irving convidou-a para anunciar a nova estratégia de guerra no Afeganistão.
Por fim, viajamos até à Califórnia, a uma Universidade, onde vemos um Professor, Dr. Malley, tentar convencer um aluno, Todd Hayes (Andrew Garfield), a vencer na vida, utilizando as suas capacidades. Malley fá-lo falando de dois antigos alunos que se alistaram, Ernest e Arian.


O título do filme, o original, deriva de uma cena em que Dr. Malley cita um General Alemão da 2ª Guerra Mundial. Este teria dito que os soldados ingleses eram leões liderados por cordeiros.
Os ingleses de hoje têm caído em cima do filme porque aparentemente o adágio teria sido "lions led by donkeys". Segundo o The Times, o mais provável é a citação do filme se basear não só em algumas frases escritas e ditas por oficiais alemães na 2ª Guerra Mundial, mas também numa frase de Alexandre, o Grande "Não tenho medo de um exército de Leões liderados por um Cordeiro, temo mais um exército de Cordeiros liderados por um leão".
Qualquer que seja a origem, a mensagem do filme é realmente que quem lidera os conflitos armados são na sua generalidade Cordeiros, e que os soldados no campo de batalha são os verdadeiros Leões.
É esta uma das principais mensagens do filme, para além de ser um retarto amargo da situação americana no Afeganistão, das decisões feitas, do papel do jornalismo na opinião pública e no resultado final dos conflitos.
A principal crítica feita a Lions for Lambs foi de que era demasiado palavroso e nada acontecia. Há acontecimentos, há alguma acção (tiros, mortes, etc), o problema é que é um filme de tese. E a tese, como toda a gente sabe, tende para a verborreia, e aqui não é excepção.

Na minha opinião será um filme interessante para ver em casa ou até para discutir com os amigos, mas sempre com a possibilidade de o poder parar e discutir sobre determinado discurso.
Tem a seu favor que é relativamente curto (88 minutos), mas poderá cansar alguns dos espectadores, mesmo assim.
Eu não desgostei, embora a mensagem não seja nova. É uma homenagem ao papel e poder da palavra, e uma crítica feroz à forma como a Guerra é, hoje nos EUA, feita, declarada e transmitida pelos jornalistas e políticos.

No final a mensagem é uma, a do título. Os Leões estão a ser liderados por Cordeiros.
6/10

sábado, outubro 13, 2007

5 best movies?

O Canto do Jo, ainda não farto de ler posts sobre cinema/tv, convida-me a dizer os meus cinco filmes favoritos.
Ui... já vejo a dor de cabeça a chegar. Terei eu um filme favorito? Conseguirei fazer um top 5? Lembro-me da personagem de Nick Hornby em Alta Fidelidade, que faz tops 5 para tudo. Admiro-lhe a capacidade, e em abono da verdade prefiro o livro ao filme, mas não tenho essa capacidade. A ver como nos saímos, mas duvido que fale somente de 5 filmes...
Bem, voltemos à dor lacinante de cabeça. O que escolher? Isto vai ser giro...
Deixemos de fora alguns óbvios e lógicos, deixemos o clássico Casablanca, o muito adorado Lawrence da Arábia, o chocante mas elucidante Kids, o irresistível Butch Cassidy and Sundance Kid, as trilogias de O Padrinho, de Star Wars ( a original), o Eyes Wide Shut de Kubrick e mais alguns.

Começo com O Destino, filme marroquino/francês, de 1997, sobre intolerância religiosa. Seguimos um filósofo islamita que se interessa por obras cristãs e sofre por causa desse interesse. Um filme que só vi uma vez e meia, infelizmente tenho gravado em vhs, mas nem o vídeo trabalha nem a cassete se encontra em boas condições. E em DVD ainda não o encontrei, pelo menos edição portuguesa.
A frase final (ou inicial ?) deixa a mensagem: Os pensamentos têm asas, ninguém os pode impedir de voar.

O facto de haver alguns números musicais, e eu abomino filmes musicais com excepção de Moulin Rouge, e escolher este filme mostra o meu respeito pelo trabalho aqui feito.




Um dos filmes que mais me fascina pela qualidade da realização é Jaws (Tubarão I) de Steven Spielberg. Para além da história, do suspense, do humor, há uma vertente cinematográfica e sonora que se eleva a piques de qualidade muito invejáveis. E tem tubarões...
Claro que eu vejo Jaws de vez em quando, mesmo sabendo o filme quase de cor. É daqueles de que gosto muito, muito, muito. Se fosse para uma ilha deserta e tivesse a alegria de levar um DVD para ver levava este, provavemente não tomaria muito banho, mas levaria este:p
Se nunca viram (e mesmo se a resposta for positiva) o filme vejam este resumo brilhante, fenomenal em desenhos animados. O filme está todo lá.
Razão mais forte para escolher Jaws? Fácil, é o Jaws!!!






Em vez de um filme quase que escolho um realizador, Sergio Leone. Mas, depois de pensar muito fico na dúvida. Escolho Era uma vez no Oeste ou Era uma vez na América?
Escolho entre Henry Fonda (excelente no papel de Vilão), Charles Bronson e Claudia Cardinale ou James Woods, Robert deNiro, Joe Pesci, Danny Aiello e Jennifer Connelly? Hummmm.

Leone tem no western a mais longa opening scene com os créditos a rodar (cliquem para vê-la), infelizmente não conseguiu que queria, que era ter tido os seus três actores de O Bom, o Mau e o Vilão para a cena de abertura. Há Bronson num papel excepcional, o humor e a dureza, a noção que o western está a morrer. Era Uma Vez no Oeste é uma carta de amor dorida por um Leone que fez westerns melhor do que a maioria.


Mas, eu tenho uma paixão avassaladora por algumas cenas, pela beleza, pelo conjunto, pelo som, pela banda sonora de Era uma vez na América. E o final é a coisa mais saborosa que me lembro, aquele final que nos leva a pensar na forma como uma história é contada, em relativizar os sentimentos de quase quatro horas, em fazer uma vénia a Leone. Era uma Vez na América é uma experiência irrepetível. E tem uma sensibilidade que hoje é quase inexistente.



E, mesmo com a subversão das regras, ainda me faltam dois filmes. Correcto?
Então o próximo são 3:p.

Trata-se de uma trilogia de Hong Kong e que deu origem ao oscarizado Entre Inimigos. Infernal Affairs (Os Infiltrados) é uma das minhas obras favoritas. Fiquei agradavelmente surpreendido com o primeiro, o dois interessou-me ainda mais e o terceiro desiludiu-me um pouco, embora em termos de abordagem faça sentido fazer um filme mais interior, psicológico.
Já escrevi aqui sobre a trilogia, por isso não me alongo mais. Vejam, é obrigatório! Esqueçam lá o Di Caprio...







Finalmente...hummmm. Poderia falar de tantos outros. Escolher aquele ou...
Rosebud. Sabem do que falo?

É para mim, e aparentemente para muitos outros, o melhor filme de sempre. Espanta-me que um filme realizado em 1941 consiga ser tão actual, tanto no que diz ou não diz, na forma como aborda as questões, como na técnica. É brilhante.
Citizen Kane, meus amigos, ou Orson Welles.


Tenho de convidar mais cinco pessoas a nomear os seus cinco favoritos. Durante a próxima semana lanço os nomes.

sexta-feira, outubro 12, 2007

Para a Fernanda

Tal como tu tenho na lista de preferidos o Casablanca.
Comentei e disse-te para veres o Only Angels Have Wings.
Revi-o recentemente.
Em português tem o execrável nome de Paraíso Infernal, o que tira algum do sentido ao conjunto título-filme, pelo menos o sentido original.
É tipicamente um filme de Hawks, o meu professor de História do cinema disse a certa altura que Hawks realizou várias vezes o mesmo filme, a mesma história, mas como nos queixarmos quando ele o fazia brilhantemente?
Ao vermos Paraíso Infernal estamos imersos no universo da Hawks, no universo masculino, na bravura e "macheza" dos homens, que não se dão ao luxo de sofrer, de amar.
Paraíso Infernal é um filme sobre sentimentos, sobre bravura ou parvoíce, sobre amizade, sobre perda e a forma como reagimos a tudo isto.
Infelizmente, já não há muitos filmes assim.
Ah, e ter Cary Grant como actor principal não magoa ninguém.

quarta-feira, outubro 10, 2007

The Inner life Of Martin Frost



Fui a mais uma ante-estreia, ontem tive o prazer de ver A Vida Interior de Martin Frost de Paul Auster.
O filme foi destruído pela crítica (um crítico americano colocou em causa a veracidade das nossas árvores!!! O filme foi filmado em Portugal, e para ele as árvores pareciam feitas de cartão...Enfim...) americana, o que me parece compreensível depois de o ver. The Inner Life estará mais próximo de um filme eropeu agradará mais a este do que a um público e a críticos habituados/moldados ao actual cinema americano.
Paul Auster conta-nos a história de um escritor de sucesso, Martin Frost, que depois de terminar o seu último livro decide descansar na casa de uns amigos, no campo, enquanto estes estão fora. Quando acorda no primeiro dia depara-se com uma mulher na cama. Pouco a pouco o fascínio vai dando lugar ao amor e Claire torna-se a sua fonte de inspiração. Mas, quem é esta mulher, que se diz sobrinha do casal amigo, mas não o é? Poderá o amor manter-se perante a mentira, e poderá sobreviver quando Claire começa a adoecer gravemente?

Estou a tentar ser o mais elusivo possível, parece-me que o espectador ganhará mais se for mais ignorante para a sala escura. O que pode ser um pau de dois bicos, alguns dos espectadores saíram durante o filme, chateados ou aborrecidos com este.
Eu? Adorei. Não conheço a história que deu origem a este filme, e o filme não será perfeito, está demasiado preso à ideia, à identidade da Literatura, ou se quiserem por vezes é mais literário do que cinematográfico, o que pode ser um problema quando queremos ver um filme e não ler um livro. A voz off (o próprio Paul Auster) que faz a narração é por vezes castradora da interacção entre o público e a história, conta demasiado, explica demais.
Sendo uma história e um filme de Paul Auster é normal que haja algo de si e do seu estilo, não teremos aqui uma história normal (princípio, meio e fim) com a casualidade-efeito que estamos habituados, não será isso que mais interessa. É aliás explicado por Martin no filme quando este diz a Claire que não é tanto a acção da história que interessa, mas a reacção da personagem. Não é a trama que lhe interessa, mas as alterações que se darão nas personagens.
Gostei bastante do filme, é um universo mágico, que toma uma ideia clássica de uma forma interessante (ou várias ideias, o filme é uma manta de retalhos de ideias) mas tomou-me de surpresa e fiquei bastante agradado. Visualmente é deslumbrante e não tem árvores de cartão, o tipo que o disse será uma autêntica besta ou ignorante ou americano, risquem o que quiserem.

Fiquei convencido, sr. Auster.
Obrigado.

quinta-feira, setembro 20, 2007

Ultimato

Ultimato, a 3ª parte da saga de Jason Bourne chega hoje aos nossos cinemas .
Vi o primeiro filme por curiosidade e não gostei, achei demasiado previsível, ainda que com cenas de acção acima da média, mas pouco interessado em seguir caminhos novos, e tive dificuldade em engulir Matt Damon naquele papel.
Saiu o segundo filme, e pensei: Que se lixe.
E fui vê-lo. E não é que gostei? Talvez porque a namorada tenha morrido logo aos 10 minutos, talvez pela história ser menos previsível, não me lembro assim tanto do filme, mas confesso que fui convencido, até por Damon.
E agora sai este Ultimato. Depois de ler uma crónica de Paulo Portas no Expresso, a dizer maravilhas do filme, fiquei ainda mais excitado. Há muito tempo que não vejo um filme de acção digno desse nome. No cinema!
E saio descontente. Não me perguntem porquê. O filme terá o melhor dos dois primeiros, bem como o pior. Parece ser realizado em modo automático, e Matt Damon consegue voltar a irritar-me. Não gostei do argumento, e as cenas de luta quase que me adormeceram. Nada de novo, ainda que me espante ver Damon a lutar daquela maneira. Mas...
Fico-me pelo filme do meio.

terça-feira, agosto 28, 2007

Cinema (Breves)



A Última Legião é um enorme despedício. De talento, dinheiro, forças artísticas diversas e sei lá mais o quê. O filme tem mais música por segundo que a maior parte dos filmes musicais, e decididamente que um filme indiano normal. Não, eu até gostava, mas não estou a exagerar. Parece que toda e qualquer cena tem de ser musicada, a determinada altura irrita.

Depois, como esperar que um realizador habituado aos sets de Hercules, Xena, Mortal Combat e Dragonheart (a sequela) não faça um filme que vai buscar ideias a estes filmes e séries?
O problema é que a determinada altura até queria gostar do filme, sempre gostei de filmes de aventuras, e este fez-me lembrar os que eu gostava de ver e que se faziam. Muita porrada e pouco sangue, mas muitos Arrrgs em compensação. Muito sentido de humor, por vezes escusado, um filme pouco realista, com muitqa tensão sexual, bem alguma, eles queriam mais, mas.... a rapariga tenta.
Colin Firth e Ben Kingsley a serem desperdiçados por completo e Aishwarya Rai a brilhar, no contexto do filme claro.
Um filme para fãs de filmes com aventura, sem sentido crítico algum, e com vontade para rir e desligar os neurónios durante algum tempo.

5/10





Consegui finalmente ver um dos sucessos de verão, Transformers. E não o achei tão mau como o tinham pintado. Atenção, o filme é baseado numa série de desenhos animados, para crianças e dos anos 80, foi feito para render dinheiro, e é lançado no Verão. Estavam à espera do quê?


Ri-me, achei que dentro do estilo há pior, e diverti-me. A segunda parte do filme decaiu um pouco, achei-o mais leve do que poderia ter sido, mas todo o filme é assim. Há muitas mortes, mas quase sangue algum. Os heróis não morrem, nem ficam muito feridos. Mas não me queixo, era assim nos desenhos animados!


6.5/10







sexta-feira, agosto 24, 2007

Mr. Brooks

Ontem convenceram-me a ver este filme. Inicialmente trouxe à discussão o meu descontentamento para com dois dos actores (Kevin Costner e Demi Moore), mas face à ausência de oferta ainda não vista ou que algum de nós quisesse ver...
A história anda à volta de Mr. Brooks, homem de sucesso, que mata por vício (a analogia é feita com o alcoolismo, já que a personagem frequente um grupo de alcoólicos anónimos). No último assassínio que comete é fotografado e chantageado pela testemunha para o levar num próximo e breve assassínio.
Para além desta linha narrativa temos o regresso da filha, grávida, a casa e a caça que lhe é feita por uma detective em processo de divórcio.
Para mim o filme comete o erro de ter lá dentro três filmes, é demasiada história junta, ainda que o resultado final seja melhor do que os primeiros 40 minutos pareciam almejar.
De qualquer modo, e dentro da trama não há grandes surpresas, ainda que pelo trailer possamos nos surpreender com uma ou duas cenas.
O filme vale, para mim, por William Hurt que interpreta o subconsciente/outra personalidade/alter-ego (o que lhe quiserem chamar) de Mr. Brooks, há também um certo humor negro que é do meu agrado e o final, ainda que previsível, é minimamente perturbador, não para nós mas para a personagem principal, agrada-me a dúvida final.
Ainda assim, falta um bom bocado para ser um grande filme, mas dos últimos que vi com Kevin Costner até é dos que se vê melhor, se bem que podem esperar pelo DVD.

6/10

DVDTECA IDEAL (A MINHA)


Começo agora por começar a fazer alguns pequenos apontamentos dos meus DVDS. Por nenhuma ordem especial, ou melhor, pela oportunidade que tenho em os (re)ver.

A Lista é longa, comecemos por um francês.



Uma das coisas que mais prazer me dá é conferir a forma como se constrói um texto, a disposição de argumentos e o ponto de vista. O ponto de vista é essencial para determinado texto.

Penso que uma das razões que me levou a distanciar um pouco (cada vez mais, fiquei engasgado na 6ª Série) de 24 tem a ver com a míriade de traidores que podemos encontrar no CTU, na Administração Americana, etc. Serão traições a mais para quem, como eu, é agarrado a West Wing. São duas visões demasiado opostas, e que a determinado momento cansaram-me em relação a uma das séries (neste caso a de 24). Ainda que me tenha aguentado, vibrado e delirado com 4 séries, a partir da 5ª...



Tudo isto para falar de espiões. Devo ter visto todos os filmes de James Bond, e já não sei o que mais me fascinava. Se a ideia de ser um espião, se as mulheres à volta, se o perigo...os carros nunca me fascinaram, nem os de topo de gama. A partir de Timothy Dalton os 007 deixaram de exercer o mesmo fascínio. Gostei de Casino Royal, mas não o encaro como um 007.

Avançando.

Descobri há uns meses a excelente série (qualquer superlativo usado aqui perde-se) inglesa Spooks. Spooks retrata o mundo dos espiões do MI5. Os episódios são actuais, alguns proféticos mesmo, e a vida íntima das personagens minimamente detalhada. Graças a Deus que é uma série britânica, se fosse americana os tiros e os efeitos especiais sobrepunham-se à caracterização das personagens, o que não quer dizer que não haja mortes, tiros e traições na série.


Em Spooks para além da política e das ameaças terroristas um dos temas recorrentes é o impacto da vida de espião na vida pessoal do agente (que vida?), outro que tem vindo à tona tem a ver a moralidade das acções perpretadas pelos mesmos.


Isto para falar brevemente de Agentes Secretos, filme francês, realizado por Frédéric Schoendoerffer e interpretado por Vincent Cassel e Monica Bellucci.

Uma equipa dos serviços secretos franceses é enviada a Marrocos com a missão de destruir um navio que transporta armas para a guerra em Angola. Depois de concluída a missão Lisa é presa. Por quem? Será a missão outra?


Ia adormecendo nos primeiros 40 minutos de filme, achei que o pacing do filme era demasiado lento, mas depois o filme apanhou-me e foi-me surpreendendo. Mais do que gadgets, acção e efeitos especiais o filme mostra-nos a mente destes espiões. Vemos a fragilidade (e as forças) de Brisseau (Vincent Cassel) e Lisa (Monica Bellucci), a solidão da profissão, a falta de amigos, a necessidade da mentira e da ocultação de factos a estes e a familiares, a inevitabilidade de obedecer a ordens, a questão moral, o confronto com as ordens superiores.

Não sei se os escritores deste filme vêem Spooks mas há alguns pontos em comum, ainda assim a aproach é ligeiramente diferente.

O filme é realista e forte, optando por dar uma imagem dos superiores dos serviços secretos demasiado autoritária e impessoal (saudades do Harry de Spooks). Há duas ou três cenas que me parecem perfeitamente desnecessárias. Num filme destes, e na cena em que é, a cena de nudez de Monica Bellucci (2 segundos para mostrar as maminhas, porquê?), a cena em que a espanhola é morta (tanta conversa para quê? Ainda assim bem melhor que a cena de Cassel em Ocean´s 12).


Um filme a ver, mesmo por aqueles (ou principalmente por estes) que dizem não gostar de cinema francês. Excelentes interpretações, mas aqui sou suspeito, já que aprecio muito Cassel. Gostei de ver a forma como a câmara mostra o cansaço, quase envelhecimento de Lisa. Monicca Bellucci transfigura-se, envelhece e mostra o cansaço, e este é para mim um dos triunfos do filme.




7/10

quinta-feira, agosto 09, 2007

Dia de Surf


Confesso que já não me divertia tanto há algum tempo.
Tenho lá por casa o documentário A Marcha dos Pinguins e não vi, o trailer não me chamou nada, o Happy Feet, mas gosto de surf e enquanto jovem vi e revi várias vezes oclássico Os três amigos (filme de surf).
Vai daí lá fui, com a namorada, enfiar-me numa sala de cinema e não dei o meu dinheiro por mal empregue.
O filme é um falso documentário sobre Cody Maverick, um pinguim que vive na Austrália e é a vregonha da comunidade, já que troca o trabalho pelo surf. Um dia é "levado" por um "olheiro" a um campeonato de surf na ilha de Pangu. Cody tem como ídolo Z, um lendário surfista que desapareceu num campeonato naquela mesma ilha, perdendo o campeonato para o, a partir daí, invicto campeão, e não menos convencido Tank Evans.
Cody vai aprender o seu caminho e mostra-nos o que é a verdadeira amizade.
Um fábula interessante, moderna, com hype e muito sentido de humor, ah e uma galinha burrinha, burrinha, burrinha.
O que me parece interessante no filme é que apesar de ser mais uma animação, traz um pouco mais de introspecção e profundidade ao que estamos habituados. E para filme de animação é mais do que poderia estar à espera.
Pena que só tenha conseguido ir ver o filme em português, parece-me que em inglês as piadas serão mais complexas.
De qualquer modo, uma excelente surpresa, e atentem para os CGI, são muito muito bons.
7.5/10

terça-feira, agosto 07, 2007

Estreias da semana


Prometo mais logo, ou amanhã, escrever algo sobre este filme, que estreia na 5ª Feira e já mora na minha colecção de DVDs (graças ao ebay) e também sobre o Dia de Surf.

sexta-feira, agosto 03, 2007

Ainda The Hoax

Continuo a pensar em The Hoax/Golpe quase Perfeito.
Foi dos filmes que mais prazer me deu ver nos últimos tempos. Uma das razões é ser um caleidoscópio de temas.
Interessa aos escritores e leitores. A questão da escrita, a questão do escritor (poeta) como fingidor, que finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente. Pessoa está presente no filme, como interpretação claro! A noção da mentira como verdade se for dita muitas vezes e dita convincentemente.
A questão da moral, porque nos apaixonamos pela personagem, perguntamo-nos como é que ele se vai safar e vemos que a determinada altura a imoralidade anda de mãos dadas com um lunatismo deliciosamente doido.
A queda do mundo criado que não tem nada a ver com a realidade e a forma como a realidade entra nesse mundo e o traz, Irving (por momentos?), de volta. As cenas finais intrigam o espectador, mas mostram a confusão psicológica em que Irving tinha caído. Resta ler o livro do próprio para saber se a leitura de Hallstrom é correcta e se Irving conseguiu salvar-se da patologia.
Um filme a ver...

quinta-feira, agosto 02, 2007

The Hoax/Golpe quase perfeito

Ontem comemorei 7 anos de namoro, mas nem a comemoração convenceu a namorada a acompanhar-me à antestreia de Golpe quase Perfeito de Lasse Hallstrom. A razão? Uma antipatia por Richard Gere!!!
Assim e apanhado desprevenido à última da hora, ainda consegui arranjar companhei a arrastei o N. comigo.
Se a semana passada tinha ficado desiludido com Os Simpsons, esta semana fiquei muito agradado com este filme, filme do qual pouco sabia, ignorava mesmo ser realizado por Hallstrom, realizador do muito amado cá em casa As Regras da Casa.
Golpe quase Perfeito narra a história de Clifford Irving (Richard Gere), um escritor que na década de 70 quase conseguiu enganar meio mundo, ao vender a publicação de uma auto-biografia do excêntrico milionário Howard Hughes, que já não aparecia em público há alguns anos. O filme retrata o processo criativo, as diferentes formas de pesquisa, a escrita do mesmo e a forma como Irving conseguiu convencer toda uma editora e jornalistas de que o livro era real.
O filme acaba com uma canção em que podemos ouvir nem sempre tens o que queres. Gere é brilhante no seu papel, maníaco quanto baste, tenta convencer-se a si mesmo antes de convencer os outros de que o que diz é verdade. A personagem de Gere é divertida, mentirosa, maníaca, manipuladora, sonhadora.
O filme transmite de forma decente o ambiente político dos anos 70, o Vietname e as dificuldades governativas de Nixon.
Essencialmente é um filme sobre um embuste impossível e a forma como Irving o vê como real. A personalidade de Howard Hughes premeia todo o filme, mas mais do que a busca pelo verdadeiro Hughes o filme mostra a busca obsessiva pela mentira. Neste sentido é mais obssessivo que Zodiac de David Fincher, mas aqui mais do que a busca pela verdade é a busca por uma verdade possível, que alimenta a personagem e lhe toma a vida.
Nem sempre temos o que queremos, e nem sempre devemos buscar o queremos sem olhara a meios.
O filme surpreendeu-me, e a questão da verdade/mentira e a forma como vivemos com ela preenche todo o filme, arrisco-me a dizer que é o seu tema principal. Nesse sentido é moralista, mas não simplista.
É um filme divertido, mas também mais negro e pesado, uma dicotomia que Hallstrom maneja com mestria. Alfred Molina é também brilhante no papel de Haskins, o amigo de Irving, co-autor do livro que vai colocando sumo e consistência neste. Destaquem-se também os actores secundários, todos em excelentes prestações, Marcia Hay Harden (excelente), Julie Delpy(desculpa para mostrar a mamoca), Eli Wallach(que saudades do porco cowboy), and Stanley Tucci (palmas para ele também).
Uma excelente surpresa.
8/10
PS. Foi a primeira vez que fui ao cinema no Campo Pequeno, e pelo menos a sala 2 é acima da média, o som é excelente, e as cadeiras não no tornam o traseiro quadrado, como a semana passada no Corte Inglês.