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segunda-feira, junho 11, 2007

Passatempos & Ortografia

O site de cinema do Sapo/Lusomundo deu merchandising e bilhetes para a anteestreia do filme Fantastic Four 2.

Ficam aqui algumas das respostas, atenção aos negritos:

Um ser quase prefeito que apesar de muitas habilidades não aparenta ser muito bom a atacar, em compensação tem muitas características para se defender.

Gosto dele mas podia ser mais malefico. gostaria que ele seduzi-se a sue e ela luta-se contra os amigos.

Por estas e por outras é que alguns marrecos teimam com o Ministério de Educação. Não me digam que não é uma aberração. Mas ao menos é num concurso. O pior é quando temos de ler livros e legendas deste calibre. Enfim...

segunda-feira, junho 04, 2007

Era uma vez a Ortografia


Tiveram lugar no passado dia 22 de Maio as Provas de Aferição de Língua Portuguesa do 1º e 2º ciclos do Ensino Básico em Portugal. Consultando o documento Critérios de Classificação, disponível no sítio do Ministério da Educação, fica-se a saber que a prova, para um e outro ciclo, é constituída por duas partes. Na primeira parte não são considerados os erros de ortografia. A justificação dada pelo Ministério é a de que se pretende focar a aferição apenas na competência de leitura e no conhecimento explícito da língua. Passemos adiante.
Para a segunda parte, dedicadas à elaboração de um texto escrito, apresenta-se uma lista que especifica o que se considera ser um erro ortográfico. É erro ortográfico o erro de acentuação, o erro de translineação e a incorrecta utilização de maiúsculas e minúsculas.
Não estão arrolados nesta lista os erros que afectam a forma gráfica da palavra pela selecção incorrecta de grafemas («geito», «análize», «bossula»), nem os erros de morfologia verbal (na distinção entre «voo» e «voou»; contasse» e «conta-se»), nem os erros de individualização de palavras («apartir»; «porcausa»; «derrepente»).
É de lembrar que estes erros são indicadores de uma aquisição deficiente de mecanismos de leitura. Dificilmente se pode garantir que o aluno que erra a forma das palavras – ou seja, que em momentos do seu desempenho está ainda no nível da decifração – é capaz de apurar, na leitura, de modo satisfatório, o sentido de um texto.
Mas, verdadeiramente, não se diz, no texto dos Critérios de Classificação, que estes erros não devem ser considerados. Eles simplesmente não aparecem listados. À enumeração (incompleta) apresentada, acrescenta-se isto: «entre outros». Será que o professor corrector deve considerar os outros ou não? E que outros, então?
Não se sabe. Depende dos resultados pretendidos.

Ana Martins (Consultora do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa) no Sol de 2 de Junho de 2007