sexta-feira, abril 13, 2007

O Pintor de Batalhas

Arturo Pérez-Reverte é um dos meus autores favoritos.
Ainda que não tenha gostado de um dos últimos livros, O Cemitério dos Barcos Sem Nome, comungo do gosto pelo literário e fantástico, O Clube Dumas, e perco-me no seu requinte policial.
Este livro, O Pintor de Batalhas, pouco tem a ver com os três citados.
É igualmente intenso, mas claustrofóbico, duro e cruel como a realidade que tenta dissecar.

Faulques, um antigo fotógrafo de guerra, retirou-se para uma pequena povoação junto ao mar, onde pinta, no seu farol, um longo e largo quadro sobre a guerra, pegando em quadros e fotografias, clássicos e modernas, sobre o assunto.
Um dia recebe a visita de um antigo soldado de uma guerra civil, que perdeu tudo o que tinha por ter sido fotografado por Faulques. Cara a cara promete matá-lo.

E todo o romance constrói-se em cima das conversas dos dois, da memória de Faulques, e na interiorização, por parte do leitor, da natureza humana.
Um romance curto que me custou a ler, um exercício de filosofia sobre a guerra e a forma como a vemos, ou como é vista por diferentes prismas.

Um livro indispensável.
Para mim, um dos melhores de 2007.

O Tempo dos Espelhos

Isto de ler as memórias de alguém que ainda está vivo é um pouco voyerista, mas a verdade é que há uma diferença, mais do que uma a dizer a verdade, entre alguém como Júlio Machado Vaz e as biografias de actores, cantores e jogadores de futebol. Ao menos isso!

Uma das coisas que me prendeu ao livro foi o exercício profissional e pessoal que JMV faz neste O Tempo dos Espelhos. Entre as suas memórias há a análise psicanalista daquilo que escreveu, o psicanalista analisa-se a si mesmo! E este facto já é razão suficiente para se ler o livro, mas o livro mostra-nos o medo perante a morte, a questão religiosa da morte e da alma, o relacionamento entre pai e filho, primeiro entre o autor e o pai, depois entre o autor e os seus filhos, a importância da palavra e do aconchego, a forma como alguns só chegam perto dos filhos (mais perto, afinal, como fica visível no livro) através de cartas póstumas, e tanto, tanto mais.

Foi o primeiro livro de JMV que li, se outros há na ignorância este pode ser a primeira tábua da ponte.

quinta-feira, abril 12, 2007

Apetecia-me ver a entrevista de Sócrates, mas tinha a meio um episódio da série policial Cadfael.
E no entanto carreguei no botão Pause, e vi os primeiros 25 minutos. As palavras certificados escolares estavam a martelar-me a cabeça com demasiada força e insistência para o meu gosto.
Entretanto ouvi-a as explicações do Primeiro-Ministro.
Desconfiei da questão de alguém se inscrever num curso sem equivalências provadas, desconfiei, diga-se em abono da verdade, ou de toda a transparência ou do nosso sistema de ensino superior. Por outro a tónica de que não teria lógica o favorecimento político porque ele já não era membro do Governo, aqui a habilidade de desviar as atenções foi interessante, as a opinião popular é de que os grandes fazem o que querem, no Governo ou não. Ter passado por lá, já era ajuda suficiente.
O resto...o resto espero eu que já não avance mais...é que já não há pachorra.

Oitavo Andar

Chego aqui depois de almoço depois de passar a manhã em Almada.
Em Almada completei o necessário para a compra de um andar ser um dado adquirido.
Depois da escritura feita pensei - bem, o meu banco é dono de mais uma casa!

quarta-feira, abril 11, 2007

RIP - Johny Hart



O cartunista Johny Hart, autor de The Wizard of ID e B.C., morreu a 7 de Abril a trabalhar, i.e. a desenhar.


Os strips de banda-desenhada ficaram mais pobres.






Johanna Sällström


Johanna Sällström, descobri hoje e com algum tempo de atraso, morreu em sua casa no mês de Fevereiro do corrente ano.

O nome nada vos dirá, mas guardarei a imagem desta actriz como a filha de Kurt Wallander nos filmes baseados na série policial de Henning Mankell.

Mais sobre a actriz e sobre as adaptações cinematográficas.

Exames Complementares

Por razões que desconheço lembraram-se, só agora, de me pedirem os exames médicos para o seguro de vida, a 3 dias da escritura. Devem ser rápidos...a seguradora, os exames já estão feitos.
Fui fazê-los ontem, e como é normal um dos exames era um eletrocardiograma. Estou com o peito parcialmente depilado (ridículo é a palavra que me assoma quando me vejo ao espelho - ainda rapo o resto, gosto pouco de desequilíbrios), ainda bem que não é verão (!) e passei a tarde toda com comichão.
Por causa do mesmo exame, ainda tive de "aturar" a sô tora que era demasiado inquiridora para o meu gosto. Eu gosto de fazer algumas coisas em silêncio, e não ter alguém a falar comigo constantemente.
Ora, andar no tapete e falar ao mesmo tempo...

terça-feira, abril 10, 2007

Raramente penso nas alterações que o tempo vai infligindo em mim e nos outros. As rugas, os cabelos brancos, o envelhecimento natural e precoce...aliás, é bem verdade que com aqueles com quem passamos mais tempo isso também aconteça.
E depois, perante uma fotografia, um video pasmamos com as pequenas e grandes alterações, visíveis e bem reais, que vão sendo apagadas pelo maior tempo de confraternização.
Há uns meses comprei a série Verão Azul, matei saudades com aqueles adolescentes e cheguei à conclusão que o tempo muda muita coisa, mas que a série, já naquela altura, tocava em assuntos pertinentes para os adolescentes. Quantas séries tivemos nós que tinham não só o intuito de educar, mas também de entreter?
Vi quase todos os episódios, gostei mais de uns do que outros, fiquei contente por ter uma memória de elefante, ainda me lembrava de alguns...
E depois seguiu a curiosidade, o que terão feito aqueles, então, jovens actores? O que será feito deles? Seguiram a carreira? Confirmem vocês mesmos.

Leituras

A Sabedoria dos Mortos de Rodolfo Martinez, edição da Saída de Emergência, é um livro que não decepcionaria a pena de Conan Doyle. Martinez pega magistralmente na figura de Sherlock Holmes, e o seu imparável companheiro Dr. Watson, e constrói três narrativas bem ao estilo de Conan Doyle, aqui com a diferença que Holmes se depara com casos ligados ao sobrenatural. Aliás, Holmes profere uns solilóquios acerca disto.

Encontrarão nessas páginas o Necromicon, o Conde Drácula, passearemos por White Chapel (sem a presença de Jack, o Estripador) e ainda teremos hipótese de presenciar, muito brevemente, um encontro entre Holmes e Borges, esse mesmo em que estais a pensar.

Um livro indispensável para os fãs do londrino mais famoso do mundo, e para além de ser uma excelente homenagem prova que algumas pessoas, poucas, conseguem pegar em personagens clássicas e continuá-las sem uma (grande a aparente) perda de qualidade.

Uma surpresa. E também uma certeza.

segunda-feira, abril 09, 2007

Notas Theoblogicas

O pregador de ontem dizia "O crente deve preocupar-se mais com o fruto do espírito do que com os dons do Espírito".
O ouvinte que aqui escreve dizia Amén em seu coração.
Fui-me embora para Montargil na 4ª de manhã, e vim no Sábado à tarde.
As únicas notícias que vi e ouvi foram o resultado do Benfica e do Porto !!!
Pedi que me comprassem o Expresso, já em casa acrescentei o Sol.
Reconheço a habilidade política e o acaso (divino), ontem lia num jornal sobre a semana negra de Sócrates. E penso que Sócrates está contente com o timing, resta saber se depois da crucificação das última(s) semana(s) haverá espaço para a ressurreição.
Quase uma semana sem postar! Há muito tempo que isto não acontecia.
O descanso faz bem...senão a mim, que o não tive, pelo menos aos poucos visitantes deste humilde albergue.
Estive em Montargil, no ABS, num retiro para crianças e adolescentes. O convite veio em cima da hora, em boa hora portanto, e ainda deu para organizar a ida, nunca é tarde demais.
2 dias e 2 meios dias, com cerca de 30 campistas. Barulhentos, eléctricos, viciados em futebol, atentos, viciados em matraquilhos, afinados a cantar, etc...
Foi bom voltar ali...

terça-feira, abril 03, 2007

Aniversário

28 primaveras...
Estarei ausente a comemorar mais um ano de vida.

segunda-feira, abril 02, 2007

O Último Ritual de Yrsa Sigurdardóttir, publicado pela Gótica não me encheu as medidas.
Penso que comecei a criar alguma resistência após as primeiras gralhas, que por sinal encontram-se nas primeiras páginas e seguem-nos até ao final do livro. Acabei mesmo por assinalá-las a vermelho, depois desisti, afinal não sou revisor.
O livro dança entre o sentido de humor, que tem, e o ambiente negro e "satânico". A história é minimamente interessante, as personagens estão bem definidas, mas sinceramente, e já não lia policiais há algum tempo, desiludiu-me, soube-me a pouco.
Por causa disso voltei, por momentos, à fantasia, estou a ler O Encontro de Fritz Leiber e a ler um policial com Sherlock Holmes, A Sabedoria dos Mortos, entre muitas outras coisas.

Anta de Treinador

Quando ouço falar os treinadores portugueses, fico com a sensação de que são os melhores do mundo.
Ficam contentes quando ganham um Campeonato ou uma Taça de Portugal e sobem à glória, de repente podem ser alguém na Europa.
Sou do FCPorto desde que me conheço e não me lembro de um treinador como Jesualdo Ferreira.
Em dérbis, ainda não tentou ganhar nenhum, fica satisfeito com o empate, sempre!
Ganhou ao Benfica na 1ª volta, porque fez uma primeira parte arrasadora e descansou na 2ª. Como ontem, embora a primeira parte tenha sido bem mais fraca, a segunda foi nojenta, o Porto parecia uma equipa da 2ª divisão, e desculpe-me o Benfica a diferença entre as duas equipas não é assim tão grande.
Com o Sporting, em nenhum dos dois jogos o Porto merecia pontuar, foi banalizado em qualquer um dos jogos, no Dragão e em Alvalade.
Para Jesualdo o Campeonato ganha-se com as outras equipas, já o reconhecemos, mas nem aí o Porto tem sido uma equipa forte, bem pelo contrário, tem sido uma equipa demasiado defensiva, e quem pode esperar milagres de uma equipa que tem Bruno Alves, que só sabe aliviar, Fucile, tenham dó, acerta poucos passes e é muito inconstante, prefiro Cech, e Pepe, continuam a dizer que é excelente, viram como foi rasgado, ontem, até pelo Nuno Gomes?
Continuo a achar que o Porto não ganha nada este ano, e se é verdade que o plantel não foi escolhido por Jesualdo Ferreira, não deixo de achar que a culpa é dele.