Carry on when I am gone
Carry on when the day is long
Forever carry on
For as long as were together
Then forever carry on
MANOWAR
terça-feira, junho 30, 2009
Já estou farto da mediatização à volta de Michael Jackson. Depois do branqueamento do senhor, estamos a assistir a uma tentativa de segundo branqueamento. Confesso aqui o meu total alheamento em relação à obra do senhor. Quanto à figura... se o visse à frente fugia. Hoje não, porque mortos não me assustam.
Saviola. Deixei de me preocupar com o Benfica há muito tempo. A verdade é que já não ligo muito a futebol, mas o Benfica já não me tirava sono mesmo na altura em que me preocupava. Lembro-me da Parmalat, de Caniggia, de Futre, e de uma porrada de outros jogadores. O Benfica promete muito, ou ilude-se muito e quase não ganha nada. Pelo menos nestes últimos anos. O ano em que o Benfica foi campeão não tinha um grande plantel, mas foi campeão.
Por outro lado, acho que deve haver petróleo debaixo da estátua do Eusébio ou isso ou qualquer dia acaba como o Boavista. Sabemos o dinheiro que os clubes portugueses (não) têm. Sim... eu sei que o Benfica é uma marca que rende, bem mais do que a dos outros 2 grandes portugueses. Mas ainda assim... têm gastado alguns euritos, vendido pouco, e continuam a querer fazer dinheiro de jogadores que ou não valem assim tanto ou não jogam sequer na Luz (caso de Di Maria).
Gosto de Jorge Jesus, parece-me que pode ter o perfil indicado para ser o treinador que o Benfica precisa, a minha dúvida reside no facto de o Benfica ter o perfil para Jorge Jesus. Se os resultados forem aziagos conseguirá o Benfica manter ter paciência?
Yes, yes, still alive. Acabei e entreguei 3 dos 4 trabalhos deste semestre. O 4º fica para o ano. Demasiado cansado e pouco preparado para tal. Já recebi duas notas. Simpáticas. Demasiado simpáticas, ou como diz a Maria, afinal sempre sou um gajo inteligente. A minha teoria é outra, qualquer curso que faça no futuro não será na Nova. As notas de Mestrado quando comparadas com as de Licenciatura deixam-me de rastos. Ou a experiência dos últimos anos tem servido de alguma coisa. Whatever.
Um dos trabalhos consistiu na análise de um blog da nossa praça e já tive oportunidade de agradecer ao blogger em questão a ajuda e disponibilidade, sem a qual não teria conseguido fazer o dito trabalho.
Já tenho tema para a tese, será sobre uma editora portuguesa que tem estado bastante nos media portugueses nestes últimos meses, isto se conseguir fazer a entrevista ao mentor. E como tese sem orientador não dá, também já tenho orientador. Olha que bonito, o verão vai ser mais calmo, e deve ser bastante verde...já que se tudo correr bem vamos visitar os Sommervilles a Belfast.
Ah! Respirar fundo e tossir com o cheiro a fuligem de um incêndio aqui perto da Escola.
Sair das aulas às 22h30 e começar a suar em bica. Entrar no carro, ver que, em andamento, marca 29º e ir o resto do caminho de janela aberta, com o cabelo à frente dos olhos.
Abrir o jornal e ver que estão a seguir passo a passo a carreira de Michelle Brito no Roland Garros, os outros tenistas já foram ao ar. Amanhã diremos que ela é grande, mas infelizmente perdeu. A qualidade vê-se no número do ranking.
Beber um café com gelo ao mesmo tempo que ouço 15 minutos sobre a miúda entregue à mãe, que está, estão, na Rússia. Ontem veio a lume um ranking sobre tribunais. Estávamos bem, ao que parece.
Perceber que bater numa criança é crime. O que me chocou não foi o facto da miúda ter levado uma palmada, foi o contexto situacional e maternal da palmada. Não aceito que dar uma palmada quando merecida seja crime, bater na filha como quem corre com um cão isso sim será crime.
Ligo o rádio. O Avô Cantigas fala de um imposto europeu, no meu tempo as cantigas eram outras. O mesmo diz o líder do PCP. Naquele tempo o Avô Cantigas cantava outras músicas.
BPP. BPN. BPN. BPP. BPN.......
Há um conselheiro de Estado a menos, aldrabão ao que parece. A acreditar no ex-patrão dele que está preso.
Há um conselheiro de Estado a menos, um provedor a menos, uma ERC a mais. A TVI foi... foi o quê, afinal? Engraçado como somos um país de liberdade, mas não aceitamos a liberdade dos outros. O Jornal de 6ª Feira é o mais visto do país. E o burro é o povo? Liberdade é ouvir o que dizem de mim e permitir que me defenda. Liberdade é poder que todos possam ter a sua opinião. É permitir que eu possa contribuir para fundamentar/alterar a opinião dos outros. Multar (Quem é a ERC? Porque é que a ERC existe no Portugal do Séc. XXI?) ou proibir limitador. Falamos muitas vezes da maravilha que é o Daily Show, com John Stewart - infelizmente, nunca poderíamos ter um Daily Show português, a ERC não deixaria.
Segundo dia de calor consecutivo. O verão está a chegar e o país está quente, demasiado quente.
Já sabem que eu sou um cromo com tubarões, né? E às vezes até tenho paciência para as séries zz, chunga movies wanna bes. Atão, colocamos a questão assim...um dó li tá.
sexta-feira, maio 22, 2009
Depois do PS, o Benfica. Manuel Alegre não consegue estar calado. Andou alguns anos a criticar o governo, a fazer oposição interna, mas no momento certo encolheu-se, com medo de perder as presidenciais. Agora, fora das próxims listas e não tendo nada que fazer, parece continuar a fazer/dizer mais do mesmo. Vem criticar Vieira, diz que toda a gente fala e que se fala demais (Hello!? Mister Alegre?) e pede explicações. Ouve o que eu digo, mas não faças o que digo. Já não há pachorra para isto... Ao menos sou portista.
quarta-feira, maio 20, 2009
Actualizo tanto o meu perfil de MSN que este ainda diz estudante. Por sinal, a loucura instalou-se e sou estudante novamente, logo nada como dar tempo ao tempo... O que era verdade ontem, pode-se tornar vero hoje.
Às voltas com um case-study acerca de um blog. A preparar entrevista para outro blogger, mas esta versa sobre a experiência do senhor enquanto músico/produtor/membro de uma editora.
Isto tudo enquanto 100-150 páginas esperam por mim para escrever um texto sobre comunicação e política no que diz respeito ao infotainment.
Não sei se será um adágio, mas a esposa ontem dormiu fora de casa!
A sábado é, sem dúvida, a melhor revista semanal portuguesa, porquê?
Tem humor, ainda que não pela mão de Ricardo Araújo Pereira, mas como não é fixa, surpreende-nos aquando de uma leitura mais exaustiva da mesma. Exemplos? A entrevista à sra. que viveu 30 anos com Amália, que diz que deixou o marido por causa de Amália e que acredita em reencarnação e que numa outra vida Amália terá sido sua mãe. Não são todas as revistas que optam por uma entrevista a um caso patológico, por diversas razões, que nos divertem quase frase sim, frase não.
A Sábado para além de ter tudo o que as outras têm, traz brinde. Vá, por um euro! Esta semana é o livro de Yasunari Kawabata, que para além de ser um romance, também nos ensina um pouco de espanhol, pelo menos ao ler a descrição do livro, "O sugestivo decorrer das estações influirá nestas relaciones humanas". Entende-se. Aprender espanhol deve ser mais fácil do que aprender japonês. Mas ler um livro japonês, num misto de português e espanhol...talvez explique o porquê da entrevista acima referida.
Já menos a brincar lemos a notícia sobre mais uma polémica com Saramago. Mike Davis, professor universitário americano (entende-se, a roubar roube-se um imperialista e porco americano), que Saramago plagiou no seu blog, diz: "Ele é uma pessoa idosa. De certeza que tem alguém que lhe coloca os textos na Internet."
E antes de terminar, deixem-se dizer que quando for grande quero ser como Mike Davis. Já viram como a resposta do universitário é tão vasta? Chama Saramago de velho, acusa-o de não saber mexer na net, mas não contente com tudo isto, ainda diz que a pessoa que coloca os textos na net é incompetente. Três em um! Brilhante...
Nos últimos tempos tenho lido e visto Naruto. E tenho ficado ligeiramente viciado, ainda que confesse, mais na manga do que no anime. No anime fiquei fascinado com uma das canções de abertura, que tem uma pedalada muito boa e como num dos canais dá com karaoke, já consigo cantar alguma coisa (para quem não sabe cantar, entenda-se). Deixo aqui a canção.
Ora, esta semana chegou uma encomenda com dvds do Naruto (sim, eu sei!) e consegui ver um dos episódios. Ora, os episódios que comprei estão na parte da série que tem aquele genérico e respectiva música. Como a série está legendada em inglês, também a música o está. querem saber a letra do que ouviram?
Cá vai.
A verdade é que aqui, a letra faz mais algum sentido. A versão que eu tenho é bem mais negra e abstracta.
Vá, fica aqui uma tradução, aparentemente em português do Brasil.
Não garoto, não chore 1 2 3 4
Ei garoto, escute o que vou dizer As pessoas não são grande coisa Já não lhe direi mais sobre o amanhã Por isso não esconda seu punho fechado
Venda sonhos para a insegurança até ela sumir Não tem nenhum velho aqui Ei garoto, o rifle de dentro de seu coração É só você que pode apertar o gatilho
Todos os jovens disseram Que não tem mais jeito, e é ridículo Pois neste Mundo maravilhoso Só se pode viver agora
Todos os jovens disseram Todas as verdades e mentiras Faça o possível para nunca esquecer isso
Todos os jovens disseram Que são jovens demais para morrerem Apenas o nascimento, a vida e a morte,estão em ordem Viva no ritmo dos sonhos dessa cidade
Todos os jovens disseram Que em noites sem vento como a de hoje Estão tentando mudar algo
E para ser chato, aqui fica a versão em inglês, que é LIGEIRAMENTE diferente. E igual à do meu DVD.
Boy, listen to me!
Humans really aren't all that important You don't need something like tomorrow, don't hide your clenched fist! You're not old enough yet to be selling your dreams to anxieties Boy, the only one that can pull the trigger To the gun in your heart is you!
All the kids said, "Tear open our hearts! That guy that gave up... he's another story," All the kids said, "These yelling voices of ours Are finding freedom from underneath our beds,"
We don't always see eye to eye, all of the wounds scattered on me that day Are still causing me to stumble But I'll drag on forward, forward I'm feeling a bit disconnected, I'm crying out Though no answer is coming Sitting, doing nothing and laughing I don't want to become someone like that
All the kids said, "There's nothing we can do, it's pointless. Because we're just living in this magnificent world right now," All the kids said, "All the truths and lies Are things we'll never be able to forget,"
All the kids said, "We're too young to die, aren't we?! All these bored faces lining up in this empty town..." All the kids said, "On this windless night, We're going to make a difference!
O anime não é mau. Tanto o filme (Blood, the Last Vampire), como a série (Blood+), agora aparece pelas salas de cinema (cá não sei) a versão de carne e osso. Tenho tanto de expectativa como de medo. A ver vamos.
Chegar a casa cansado e com pena de ter desafiado a esposa para ir ao cinema, e não ter conseguido chegar nem a tempo, nem com vontade. O que fazer? Ir ao clube de vídeo, o do MEO, e escolher qualquer coisa. Não muito parada, não muito violenta, não muito longa. Esquisitos... O que ver?
Hesito entre o Batman (demasiado longo); um filme chamado Breach (com um elenco interessante) e outro que já não me lembro. Destes o único que parece interessar minimamente à cara metade é Breach...
De repente, aparece-me este Bem Vindos ao Norte, de que tinha lido maravilhas, ainda que não acredite sempre nos críticos e muitos menos nas análises a filmes europeus. São sempre bons, mesmo quando horríveis.
Vejo o trailer, parece-me simpático. Ela vê também. Arriscamos.
De que trata o filme? Philippe Abrams, um administrador dos correios tenta fazer a vontade à sua mulher e conseguir transferência para o sul quente e luminoso de França. Infelizmente, quando é apanhado na trafulhice para conseguir o emprego, é castigado e enviado para o Norte, para os correios de Nord Pas de Calais, uma das regiões mais frias do País. Um familiar da esposa que já lá estivera informa-o que vai para o inferno. Demasiado frio, as pessoas broncas, porcas e com hábitos pouco civilizacionais. Phillippe vai, com medo, preocupado e só. Depressa começa a perceber que o Norte não é o que dizem e depara-se com uma terra simpática, onde as pessoas são afáveis. Claro que nem tudo são rosas e para complicar as coisas Phillippe confessa à esposa que o Norte é tudo o que pensavam e mais ainda, um horror.
Bem vindo ao Norte é um filme simples, divertido, com bastantes clichés, mas que nos convence com a sua despretenciosidade e humor. É por outro lado um filme de iniciação, a uma outra cultura, a uma outra cozinha, a um outro dialecto. Parece-me que na impossibilidade de fazer filmes de alto orçamento, o cinema europeu podia tentar fazer mais disto. Filmes simples, com uma mensagem de integração, mas um postal de visita a determinado local ou país. (Parecido, embora quase oposto na trama, temos o caso de DOT-Com, o filme português que faz muito com pouco e que nos põe a pensar sobre o que é ser português).
Bem vindo ao norte foi uma excelente opção e um filme a ver para quem gosta de rir, mas já não tem muita paciência para as comédias débil mentais americanas, ou para aquelas pejadas de humor escatológico, ainda que este também apareça aqui.
Faltam-me sete testes e já não sei quantos processos para analisar, preciso de descansar a cabeça, de modos que vou fazer rapidamente o que queria fazer com um pouco mais de tempo.
Já leram o novo diário, o i? E que tal?
Tenho-o comprado desde o nº1 e já tenho algumas opiniões formadas.
Em primeiro lugar, parece-me que as próximas duas semanas vão mostrar bem em que águas o jornal se moverá. Conseguirá manter as tiragens dos primeiros dias? A novidade passará, resta saber quem ficará.
Já se percebeu que há puristas que não gostam de um jornal agrafado, ou pelo menos de chamar jornal a algo agrafado. A mim não me chateia, bem pelo contrário, desastrado como sou não corro o risco de cair ao chão e perder tempo a colocar as folhas em ordem. Sinceramente, gosto. E não desdenho o tamanho. Mi gusta.
Por outro lado, se a organização do espaço, também gráfica, é interessante, ainda que as fotografias nem sempre sejam as melhores, e as capas não primem pela capacidade de agarrar ninguém. A capa do 1º nº era má, a de hoje bateu-a aos pontos. Penso que aqui poderão fazer melhor.
Depois tenho um problema com nomenclaturas. Na 6ª Fª saiu um suplemente com material inédito do NY Times. Suplemento? 3 textos e 6 ou 8 fotos? Vale a pena chamar àquilo um suplemento? Não seria mais fácil colocar aquele material dentro do jornal? No primeiro dia, tiveram uma reportagem ilustrada. No texto de apresentação diziam qualquer coisa como "fomos ao México fazer esta reportagem". Não sei se foram, se não foram. Se foram não precisavam de ter ido. Se não foram, percebeu-se. De qualquer modo, chamar reportagem a 3 desenhos pespegados em 2 páginas parece-me, mais uma vez, um exagero.
Quanto à revista de Sábado pareceu-me curta. Para mim, e é provável que eu não seja o target, só metade da revista é que valia a pena, depois eram páginas de fotografias, inquéritos, viagens e afins que nada acrescentam em conteúdo, bem pelo contrário.
Claro que nem tudo são críticas. Como já disse, gosto da arrumação do jornal, da forma como abordam algumas das temáticas, dá-me uma sensação, por vezes, de semanário diário - o que é bom.
Ter uma foto de Manuela Ferreira Leite na capa, em que a senhora está com uns olhos lânguidos e um sorriso maroto, enquanto lemos que nem todos os casamentos resultam é de mestre. Ajuda ter Maria João Avilez a fazer as entrevistas, a de Manuela Ferreira Leite foi muito boa; ajuda ter Ana Sá Lopes como redactora principal; ajuda ter alguns dos cronistas, dispensável era ter crónicas de apresentação e de satisfação por haver um novo jornal e fazerem parte dele, mas pronto.
Pela primeira vez consigo passar pelas notícias de economia e lê-las. O tamanho de algumas das notícias, ainda que diminuto, ajuda à compreensão, ainda que ao de leve, de algumas situações e esta forma de apresentação é uma aposta ganha.
O editorial é que não me chama puto. Eu tento ler, mas ou é de que quem o escreve, que é chato, ou é do aspecto gráfico. Mas se calhar é do conjunto dos dois.
Enfim, tenho comprado, lido e gostado. Ainda que continue a comprar o meu jornal - o Público. O que é interessante é ver que o Público tem pegado em alguns dos assuntos, mas depois do i lhes ter dado espaço. E não faço juízos de tratamento.
E ali fomos nós,pela primeira vez como casados. Ela demorando um pouco mais em algumas bancas, eu noutras. Eu à procura dela, a telefonar-lhe para a descobrir. A chuva ia caindo, umas vezes maior e fria, outras vulgo molha-parvos, uma aberta aqui e acolá. Depois deter trabalhado na Feira durante 4 ou 5 anos, a Feira deixou de ter grandes segredos para mim, e nos últimos tempos poucos atractivos. Os preços convencem só um cadinho, os livros expostos parecem-me cada vez menos, as caras já não são as mesmas, mesmo aquelas que lá estavam todos os anos há 10, 20 anos, ou mesmo desde o início. Fui com uma lista mental. Pouco mais trouxe do que aquilo. Dois Ruben A., um Abel Barros Batista e uma definitive collection de Queen & Country, mais uns comics avulsos, a 0.50€ cada.
A Feira este ano foi isto, mas foi só esta feira. Para mim não faz já muito sentido. Prefiro a feira da net, ir à Amazon, ao Ebay, ao Bookdepository. Consigo o mesmo, a preços bem mais baratos e não chamo nomes aos tradutores/revisores. Assim vou comprando só os luso-portugueses, como se pode confirmar.
Releio Ruben A. e volto a ter aquele prazer que tive a ler os primeiros 5 volumes de Páginas. Felizmente amanhã penso ir à Feira do Livro, pode ser que traga mais Ruben A. comigo. Há ali qualquer coisa que me pega, agarra e impele a ler. Mesmo quando não percebo tudo. É a dinâmica da escrita, o humor, o non-sense, o recriar da língua. É o fugir às normas retirando aqui e ali as vírgulas de direito é a violência o ardor a saudade com que ele descreve pessoas passagens experiências é a minha leitura 60 50 40 anos depois e reconhecer ou entrever locais que ele descreve que eu conheço mas que ao mesmo tempo desconheço. Nada contra Nuno Bragança, mas troco-o pelo A. em qualquer momento. Aqui e agora já ! Pena o tempo que falta, para me refastelar numa cadeira, deitado no chão, na cama ou na areia da praia e lê-lo durante um dia, ou somente uma hora. Já disse que amanhã vou à Feira do Livro? Senhores da Assírio e Alvim esperem por mim, ainda que primeiro passe pelos alfarrabistas, sempre à procura deste autor. Que trampa de final para este texto, enfim... fu i ...
Olho para a foto do autor do livro. Tem um ar tímido, parvo, mas ao mesmo tempo uma aura de intelectual. Olho-o nos olhos, sem que haja reprocidade. Tento-o encontrar no livro. Mas sei que o autor está sempre ausente das suas obras, mesmo quando presente.
Já o sofri na pele. Gente que me manda mails ou sms, ou faz comentários aqui tentando auscultar a minha saúde física, mental e o meu estado psicológico, sem ter atentado na tag que em baixo diz: Breve Narrativa.
Juntam a pessoa à narrativa, à trama, ao sentimento da ficção. E sinto-me misto. Confundem o poder das palavras com a realidade, confundem o poder e mística da ficção com as possibilidades da realidade, por vezes de pendor ficcional.
Leio algumas linhas do livro e esqueço-me da foto do autor. Porque ele vale enquanto obra, independentemente da ideologia, da gordura, dos hábitos, da personalidade deste. quantos não escrevem coisas diferentes do que pensam? quantos não se inventam e reinventam o presente, passado e porvir nas suas páginas? quantos não se aniquilam, palavra a palavra, frase a frase, somente para que alguns os encontrem nas suas páginas?
Escrevo aqui e acolá, esquecendo-me. Mas sei que alguns me vão encontrar ali, mesmo que não esteja.
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