quinta-feira, setembro 21, 2006

World Trade Center (updated)

O que dizer de WTC de Oliver Stone?

Pessoalmente gostei muito do filme, achei-o realista nos momentos em que se pedia realismo e lamechas o suficiente, mas não em demasia.
Estamos perante a reconstrução dum episódio ainda bem presente na história (e vidas) americana, as feridas ainda não sararam e os medos ainda são bem reais. Ora, por tudo isto é normal que o filme pegue em duas personagens, que o filme detalhe os seus sentimentos e medos, que o filme puxe para a lágrima várias vezes. Quem não quer essa leitura, veja o filme de Paul Greengrass, quem quiser uma leitura mais realista, menos humanizada, mais dura veja o Voo 83 de Paul Greengrass. Embora me esteja a decidir qual é o mais cru e cruel, já que à sua maneira ambos o são.
Stone fez, na minha opinião, um muito bom filme sobre o atentado, mas foi mais longe e levou a cabo um programa, apela para o coração (ouça-se o discurso final), apela à bondade dos homens e homenageia os que morreram, lutaram e não desistiram.
É óbvio que o filme tem algumas falhas ou fraquezas. A aparição de Jesus é demasiado iconoclasta, mas dentro do filme faz algum sentido, aliás, há várias pistas para a religião, para a fé (cruz, visão, Deus disse-me, o rosário, orações e preces, mais alguns possivelmente), fé que suportou (e suporta muitos) imensos indivíduos ao longos das horas descritas no filme e após. A fé é uma das pistas para podermos olhar o atentado das duas torres.
É curioso que a personagem de Cage diz que a cor do dia é a azul e a sua esposa aparece, várias vezes, de azul.
Curioso também que a personagem do fuzileiro comece por ir ajudar por fé, e acaba, por fé (?) a pedir vingança e vingança no Iraque. Há aqui, também, uma ou várias leituras a fazer. O papel dos cristãos no mundo pode ser também visto deste prisma, e a ideia de guerra (santa) também está presente.
Mas muito mais pode ser dito e problematizado. Vejam e discutam (comentem).

A não perder.

1 comentário:

tiago lila disse...

o filme está bem conseguido, sim. mas as aparições de jesus cristo eram bem dispensadas! ;) e, no final, ficou-me um sabor a pouco (para além do sabor a sal das lágrimas que copiosamente larguei)...como se não te tivesse feito justiça à monumentalidade de tamanha situação! bem sei que era suposto ser mais individualista e contar aquelas estórias, mas, ainda assim...