sábado, outubro 07, 2006

O Último Papa é o último livro de Luís Miguel Cintra e aproveita a psicose actual pelas teorias da conspiração. Em relação ao Código da Vinci é claramente um produto mais pensado, mais estudado e menos inventado, ou se quiserem mais verosímil.
Lê-se duma penada, ainda que tenha 330 páginas. Pega na morte de João Paulo I e transforma--a em caso de polícia. Entre mafiosos, maçónicos, Brigadas Vermelhas, a históra da Europa nestes últimos trinta anos transforma-se numa enorme teoria da conspiração. A morte de Sá Carneiro, a de Olof Palmer e outros acontecimentos mais conturbados e nebulosos são utilizados por Miguel Cintra para construir habilmente a sua história.
O ritmo é alucinante e os capítulos devoram-se.
O final fez-me sorrir, e pensar no que se seguirá. A pista final é extremamente apetitosa. Leiam-no, se quiserem saber do que falo.
Um senão: entre autor e revisor ainda passaram muitos erros de gramática e ortografia. Deixo aqui alguns...
(Pág.14) Uma operação garganta há muitos anos(...)
(Pág.15) Tudo isto Vicenza realiza com gosto (...) - (compreende-se o anglicismo se tivermos em conta a estadia do autor em Inglaterra, por outro lado a nossa gramática ainda não o aceita).
E fiquemos por aqui para não me terem como purista, mas a realidade é que me choca dar 18 euros (e até menos) por um livro com alguns, ou bastantes, erros (vírgulas, ortografia, construção deficiente. Mas infelizmente esta é uma realidade cada vez mais crescente nas nossas edições nacionais.)
Mas não deixem que isto vos impeça de contactar com este O Último Papa.

2 comentários:

Cristina disse...

Não é Cintra, é Rocha...De qualquer modo o rapaz enviou uma sinopse para Frankfurt de 50 páginas, antes de escrever o livro, manobra de marketing? A literatura é agora um produto? Pois...

Rui Pedro disse...

Escrevi ao autor a propósito desse erro na pág. 14, que me irritou.
Foi muito gentil e respondeu prontamente. Agradeceu-me por ter alertado para este facto porque no original está "uma operação a uma sinusite" e não "(h)à garganta", como aparece no livro. Ficou de apurar responsabilidades. A mim parece-me sabotagem.