quinta-feira, novembro 23, 2006

Literaturas

O que é a literatura? O que deve ser apelidado de literatura?
Incluímos reportagens, bds, fotonovelas e outros que tais? Respondam vocês, eu prefiro fazer as perguntas, que como dizia o outro é uma actividade bem mais interessante do que responder às mesmas.
Sempre senti um gosto enorme, um fascínio, pela teoria da literatura e por aquilo que é a interpretação de um texto, a conversa entre o leitor e o texto, a dúvida que uma palavra nos coloca, as ambiguidades, as suspensões do texto e do leitor. Às vezes, melhor do que um clímax é um anti-climax, não acham?
Confesso que desde que saí da faculdade que perdi um pouco a noção e vontade de conversar e questionar os textos que leio. Talvez, por vezes, pela fraca qualidade dos mesmos, mas por vezes pela minha preguiça enquanto leitor. Poucos são os autores que nos fazem indagar, primeiro que tudo, o próprio texto, mas também a escrita, a realidade e a forma. Deixem-me deixar mais uma pergunta, o que é um leitor? Temos nós atenção à forma como está escrito o que lemos? Terá sido gralha ou terá havido uma segunda intenção? Porque é que o autor não acabou na linha de cima? Porque é que utilizou esta palavra em vez daquela? Simples opção estilística? Subserviência cega a determinada escola? Ainda existem escolas?
Padeço daquele problema, de quem gosta de ler e gosta de ver os outros ler, que é o de se preocupar mais que os outros leiam, e só depois se preocupar com a qualidade do que lêem. Não sou elitista e pouco dado a obrigatoriedades, mas acho que quem lê deve tirar o máximo de prazer possível. Embora, e aqui concordo com a Cooperativa Literária, o leitor deve ser indagador, pesquisador, procurar perguntas e respostas, gostar ou não do fim e ter a coragem construir o seu próprio final alternativo, qual extra de dvd!
Temos perdido um pouco esta noção, somos levados a comer e calar, e quando pergunto aos alunos a sua opinião pessoal sobre determinada obra, normalmente ficam simplesmente por um Gostei. Se os importuno e peço razões, não sabem. Não pensaram, logo não têm razões para ter gostado ou não.
Toda esta diatribe por causa da apresentação da Professora Drª Maria do Rosário Monteiro da Callema. A distinção entre revista de divulgação literária e revista literária é quase inexistente no nosso meio mediático, e o que se quer com a Callema é uma revista literária, a qual é, na opinião dos fundadores e dos colaboradores, uma miragem em Portugal. Teremos ou conseguiremos formar os leitores esperados, na verdadeira acepção da palavra?

1 comentário:

Hugo Milhanas Machado disse...

Ora aí está. Uma revista de literatura: intencional.

Um abraço.