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terça-feira, novembro 18, 2008

Leituras

"Tirou uma camisola da mala e enfiou-a pela cabeça. Por um minuto, viu só a escuridão da lã e, depois da cabeça lhe sair pelo decote, reparou que estava a ser contemplada. Corou: fazia parte da intimidade do casamento que aquelas pequenas coisas fossem observadas - vestir-se e despir-se, olhar-se ao espelho, fazer gestos inconscientes... o fim da intimidade pessoal.
(...)
Ela olhou-o. Uma das coisas mais surpreendentes em tudo aquilo era a pura alteridade, pensou. ele é outra pessoa: não sou eu. E há um pedacinho dele, do que faz dele aquilo que é, que nunca conhecerei, nunca alcançarei. Algo para o qual não tenho uma palavra. A alma? Não. Bom, talvez. Isso, seja lá o que for, nunca será meu. E se lhe pedisse que me contasse qualquer segredo?, nenhum em especial, só um que nunca tivesse contado a ninguém, nunca. Todos nós temos um, pelo menos. Pelo menos, um segredo. Sorriu àquele pensamento. E que lhe contaria, se lhe pedisse o mesmo? O que tinha feito ou pensado: o que gostaria de fazer ou pensar, se se permitisse tal coisa?"

in Angus de Alexander McCall Smith (Teorema - Colecção Mitos)

terça-feira, novembro 11, 2008

Leituras

Li o pequeno grande livro de Miguel Real, O Último Minuto na Vida de S.
Gostei bastante. Um romance criado à volta da relação entre Snu Abecassis e Sá Carneiro.
Um livro que nos mostra as contradições do Portugal de antes e após a revolução, e nos obriga a fazer a síntese dos anos da Democracia. Um livro que nos põe a colocar hipóteses.
Mas antes demais, um livro que mostra o que uma sueca poderia pensar. Pensar num país retrógado, de como as suas atitudes podiam mudar alguma coisa (criar um editora num país cinzento), de como chocava os ideiais da época. O não querer ser só mais uma dona de casa. O medo do marido das atitudes dela, que punham em causa o nome da família.
Os últimos dois capítulos, principalmente o último. Dorido, mas feliz, e certa medida. Porque morre, mas completa. E com ela, as cinzas de um portugal novo.
Leiam. Não custa muito, é pequenino.

segunda-feira, abril 28, 2008

Leituras

Falar de livros que estão noutro local é difícil, por vezes falta a frase ou sentido real e pode-se simplesmente dar a ideia geral.
Enfim... avancemos.
A Infelicidade Pela Biografia foi um prazer. Um relembrar das aulas com o Prof. Abel, pelo estilo, pelo humor, pelo sarcasmo, pela ironia, pela temática. Ainda que ignorante, em maior medida do que pretendia, gosto de Teoria da Literatura e de tudo o que tem a ver com o forro/a outra face da literatura.
A Infelicidade foi a desculpa para voltar a alguns termos esquecidos, ah! os anacolutos...
Um bom livro. E pequeno de tamanho, o que agradará a muitos. De qualquer modo, o Autobibliografias (é este o nome?) está lá à minha espera. Dependerá só da leitura do Machado de Assis.
Algumas das crónicas são imperdíveis. A primeira, sobre a ida do cronista ao cinema, ver O Carteiro de Pablo Neruda, e uma desculpa para falar de leituras, ou outra, sobre a linguagem hermética e difícil de muitos textos académicos.
Um mimo, descoberto através do Da Literatura, que linkou a editora
.
Night Train to Lisbon é um best-seller. O que quer que isso queira dizer. Andei a passeá-lo por mais de três semanas. Houve momentos em que pensava se o continuaria, e outros em que prolongava a leitura com redobrado prazer.
Acabei-o ontem. Já um pouco farto de toda a trama. Serei ainda novo para o compreender?
Talvez...
O livro conta a história de um professor de línguas que, de um dia para o outro, decide mudar de vida. Um encontro com uma portuguesa e com um livro português dão-lhe a desculpa. Vem a Portugal, decidido a descobrir o autor do livro que descobriu.
É um romance de descoberta, de pesquisa, de indagações, directas e internas, de paradoxos e contradições, de descoberta de personalidades, do indagar sobre o ser humano.
Li-o em inglês, e os erros no português são demasiados. Nunca fui muito de existencialismos. E este é, de certo modo, um romance existencialista, já que indaga sobre a existência e a utilidade das actividades. Por trás, há o período de resistência ao Estado Novo, e o Estado Novo, o 25 de Abril, as escolhas pessoais e as dificuldades de temperamento.
Um livro interessante, mas demasiado penoso para mim, pelo menos, no momento actual.
6.25/10

terça-feira, março 11, 2008

Releituras

Tenho tido pouco tempo para ler.
Entre aulas e curso de Sábado pouca paciência e tempo tenho tido para outras aventuras.
Peguei, ainda assim, no O fogo e as cinzas de Manuel da Fonseca. Já o lera no 7º ano.
Gostava de me lembrar do que achara então.
Já li, depois disso, mais livros de Manuel da Fonseca e de outros neo-realistas.
Achei interessante, mas prefiro a contextualização cultural, social e económica dos romances. Ainda assim, os contos são curtos e directos.
Fizeram-me relembrar algumas histórias ouvidas pelos familiares mais velhos.

terça-feira, fevereiro 26, 2008

A Neblina do Passado



Muito se tem divulgado e escrito sobre o último romance de Leonardo Padura editado entre nós, A Neblina do Passado.
A verdade é que é imprescindível na biblioteca de qualquer amante de romances policiais e de quem quer conhecer a vida contemporânea do povo cubano.
Mario Conde é a personagem principal, um polícia que já deixou de o ser, ainda que mantenha a natureza inquisitiva e detivesca.


- Diz-me a verdade, meu amigo, uma pessoa pode ser maricas por uns tempos e depois deixar de o ser?
- Nem sonhes. A mariquice não tem retrocesso. Se alguma vez engoliste espadas, isso já ninguém o conserta... E um tipo que já foi polícia nem que se mate o deixa de ser. (pág.91)




Conde dedica-se agora a outros negócios, inclusive à venda de livros, assim descobre uma biblioteca intacta e nela um livro que contém uma página de uma revista com o anúncio do abandono de uma cantora dos anos 50, Violeta Del Río.
Esta descoberta vai atormentá-lo e Conde vai procurar descobrir a verdade nunca descoberta sobre o que aconteceu a Del Río, mergulhando na história recente de Cuba e na realidade soçobrante contemporânea.


A Neblina do Passado é um policial, uma tentativa de descoberta de alguém de quem já ninguém se lembra, mas ao mesmo tempo leva-nos à Cuba dos anos 40-60 e à Cuba mais recente (90-2000). Mostra-nos as misérias do comunismo, no homem comum.
(...) Tu sabes, Vivemos numa selva. Desde que saímos da casca estamos rodeados de abutres, de gente decidida a lixar-nos, a arrancar-nos dinheiro, a gamar-nos a miúda, a denunciar-nos e a ver-nos tramados para poderem ganhar pontos e subir um pouco... Há uma monte de gente que vai aguentando, para não complicar a vida, e a maior parte o que quer é pôr-se a andar, pôr água de permeio, nem que seja para Madagáscar. E os outros que se amanhem... Sem esperar muito da vida.
-Isso não se assemelha ao que dizem os jornais - espicaçou-o Conde, para o ver saltar, mas Yoyi era ágil de mais.
- Que jornais? Uma vez comprei um, para limpar o rabo, e fiquei com ele sujo, juro-te...
- Ouvista falar do homem novo?
- Isso o que é? Onde o vendem?
(pp 74-75)


A desilusão para com o presente e a dicotomia partir/ficar.


- Somos diferentes: temos três patas ou só uma, não sei bem... O pior foi terem-nos tirado a possibilidade de viver ao mesmo ritmo que viviam as outras pessoas no mundo. Para nos protegerem...
-Sabem o que mais me lixa? - interrompeu-o Coelho, revelando os dentes à porta do quarto. - Terem-nos desbaratado o sonho de podermos ir a Paris com vinte anos, que é quando ir a Paris é bom (...)
-Estivemos a viver durante todo o tempo, todos os dias, a responsabilidade de um momento histórico. Empenharam-se em obrigar-nos a ser melhores - disse Coelho, mas Conde negou abanando a cabeça, quase sem se poder conter.
- Então, por que razão há agora tantos jovens que querem ser rastafáris, roqueiros, rappers e até muçulmanos, que se vestem como se fossem palhaços, que se maltratam enchendo-se de argolas e tatuando-se até aos olhos? Por que razão há tantos a meter drogas durissimas, tantos que se prostituem, que se tornam chulos, travestis e suam colares de santeria (...) Por que razão há tantos que querem sair daqui?
- Eu tenho um nome para isso - retomou a batuta o historiador do grupo: - cansaço histórico. (...)
(pág.174)

Aliás, algo que domina o romance é este cansaço e tensão entre ficar e partir. E entre o desejo de ficar há a realidade, mais brutal que nunca, mais miserável que nunca, mais "libertadora".


-Muito trabalho, uma loucura. Nem imaginas como estão as coisas. Aquilo antes era uma brincadeira de crianças, agora é a doer. Os roubos com uso de força estão na ordem do dia, a droga está por todo o lado, os assaltos são uma praga, a corrupção cresce mais que erva daninha, não acaba por mais que se arranque... E nem te falo do proxenetismo e da pornografia. (pág. 91)

Conde esforçara-se ao máximo por sorrir, convencido de que seria incapaz de ir para a cama com aquela mulher, ou mesmo de beijá-la, e olhou para o Africano, que gozava com a situação. Nessa altura compreendeu que toda a sua liberalidade moral era apenas uma brincadeira de crianças naquele mundo alucinante, onde o sexo adquiria outros valores e usos e se transformava numa forma de vida, num meio de desafogar as misérias e tensões.
(pág. 194)

Mas A Neblina do Passado é também um romance sobre os livros, sobre o seu papel cultural e financeiro, sobre a amizade, sobre a nostalgia do passado desconhecido ou meramente vislumbrado, sobre o manter-se à tona, sobre a natureza humana, sobre a loucura sã (quem chegar ao fim, perceberá melhor), sobre a poesia e a música, sobre os boleros e a sua natureza.




Depois de vivermos
vinte desenganos
que importa mais um, depois de conhecermos
a batalha da vida
não devemos chorar.
Temos de saber
que tudo é mentira,
que nada é verdade.
Temos de viver o momento feliz,
temos de gozar o que pudermos gozar,
porque contas feitas, no fim,
a vida é um sonho
e tudo se perde.
A realidade é nascer e morrer,
para quê enchermo-nos de tanta ansiedade,
se tudo não passa de um eterno sofrer
e o mundo se apresenta... sem felicidade.
(Arsenio Rodríguez)

Para ler devagarinho, com prazer.
9/10

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Releituras

Decidi reler CS Lewis.
Comecei por Beyond Personality (Para além da Personalidade, trad. de A. Gonçalves Rodrigues - 1946, Edições Gama)

"A Teologia é uma coisa práctica. Não se conseguirá a vida eterna a sentir a presença de Deus na música ou nas flores."
"Todos lêem e discutem. Consequentemente, se não atenderdes à Teologia, isso não significará que não possuís ideias sobre Deus: significará porém que tereis ideias erradas."
"A vida biológica é Bios, a vida espiritual é Zoe. (...) Um homem que passasse a ter Zoe em vez de Bios teria sofrido uma mudança tão grande como a que sofreria uma estátua que, de pedra lavrada, se transformasse em homem.
E é disso mesmo que o Cristianismo trata. O mundo é uma grande oficina de escultor. Nós somos as estátuas, e por toda a oficina se rumoreja que dentre nós alguns vão um dia receber o dom da vida."

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Firewall

Mais um livro lido. Mais um livro de Henning Mankell e de Kurt Wallander, o polícia de Ystad.
Li a contragosto Dephts, também de Mankell. Cheguei ao fim com um leve sabor agri-doce na boca. Se por um lado estão lá todas as características presentes na colecção de Kurt Wallander, por outro, falta a paisagem da Skania e as personagens que aprendi a gostar. Achei-o demasiado grande, ainda que duro e dorido. Mas li mais por militância do que por prazer.
Depois descobri que este Firewall me tinha passado ao lado, e entre contos de Kurt Wallander (La Piramide numa edição espanhola), e resolvi voltar ao sul da Suécia.
E ainda bem que voltei. Firewall deve ser um dos melhores livros da série e o último romance da série, pelo menos por enquanto e cronologicamente, já que depois destes Mankell escreveu The Return of the Dancing Master (em que introduz Stefan Lindman, polícia em Boras, que entrará em Before the Frost) e Before the Frost (o primeiro romance em que Linda Wallander é personagem principal, embora o seu pai apareça muito ao longo do romance).
Firewall funciona a espaços como um resumo da matéria dada, já que Wallander ou o autor vão recordando muitos acontecimentos de outros livros, ao mesmo tempo que se mostra Wallander ainda mais nervoso, em busca de uma nova mulher na sua vida e com dificuldades no relacionamento com os seus colegas. Por outro lado, Firewall desnuda Wallander face ao mundo novo em que vivemos, o mundo das tecnologias, mas não só, que ele pouco entende.
Uma morte acidental, e um homicídio despoletam a acção deste romance, levando Wallander, mais uma vez, a questionar a natureza humana e os motivos por trás dos crimes.
Uma das melhores, (ah! que se lixe) a melhor série policial à venda de momento, e será um crime se não passarem os olhos por esta obra prima do género policial.
PS. Este senhor é um dos actores (há vários projectos) que faz de Wallander. E com ele já vi dois filmes que valem muito a pena, suecos, mas à venda no ebay, com legendas em inglês.
Parece que a BBC está a produzir alguns filmes baseados nos livros, e Keneth Brannagh será Wallander. O que me parece bem, ainda que demasiado magro para o papel.
Já agora, um pedido às editoras nacionais, edita-se tanto lixo por cá, porque não a série sueca de telefilmes de Kurt Wallander (na imagem)? Com o devido marketing tudo se vende.
9/10


quarta-feira, janeiro 09, 2008

Leituras

A Terceira Atlântida de Fernanda Durão Ferreira é um livro interessante, sobre a possíbilidade da Ilha Terceira ser parte da mítica Atlântida.
A autora refere alguns dados curiosos na defesa da sua tese. Por um lado os dados literários sobre a localização, morfologia e dimensões da ilha; as tradições da Ilha Terceira e restantes ilhas açorianas (a tourada à corda, a justiça da noite, os rituais, o azul e o açor); as pistas para a presença humana anterior ao colonos portugueses e flamengos; e a presença de tradições atlantes, no artesanato e não só, nas ilhas açorianas.
A Terceira Atlântida é um livro interessante porque lê os textos antigos (uns mais do que outros), de Platão a autores portugueses e interpreta-os. Algumas das interpretações farão mais sentido do que outras. Umas serão demasiado inverosímeis, mas de qualquer modo não deixa de ser um exercício interessante. Tanto para o autor, como para o leitor. De qualquer modo, encaro-o mais como poesia histórica e possível, do que como realidade, mas não deixa de ser interessante sonhar estas possibilidades.
Ainda assim, neste mês de Janeiro, foi uma lufada de ar fresco nos livros que tenho em cima da cabeceira, ou no banco do carro ou na mala (tanto do carro, como da bolsa a tiracolo).

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Noite

O que choca no livro Noite, de Elie Wiesel, não é o relato em si, que o faz - como outros antes e depois o fizeram. Destaco os lidos por mim, Primo Levi, Art Spiegelman, Anne Frank, Corrie Ten Boom. - mas a forma como o faz.
Noite é um relato sobre a vida (?!) nos campos de concentração, o horror e a maldade humana.
Ficaram-me 2 ou 3 aspectos do livro, para além de tudo o que escrevi atrás.
Por um lado, a bestialização do homem, presente, não só, na figura dos chefes dos barracões, mas, especialmente, na figura dos soldados; masprincipalemente na descrição dos dois filhos que atacam os pais, em nome da sobrevivência, um, na realidade, o outro, em acções e pensamentos.
Fica-me a ideia do acaso, do polícia, conhecido dopai, que lhes vai bater à janela, antes da deportação, com o intuito de os esconder. Ideia que falha por segundos. A escolha, temerária, de partir com o pai, e não ficar no hospital, com medo de ser morto, e descobrir que dois dias depois, com a chegada dos exércitos aliados, quem ficara no hospital fora resgatado.
E a ideia da perda de humanização, na figura do corpo. A última frase do livro, em que o autor olha para um espelho e não se reconhece naquela figura cadavérica.
Um livro a ler. É que há umas alimárias energúmenas que afirmam que o Holocausto nunca aconteceu. Quem nos dera (à Humanidade) e quem lhes dera (aos milhões de chacinados).

Paradoxo ou contradição?

Ontem, andei com dois livros debaixo do braço.
Boca do Inferno (de Ricardo Araújo Pereira) e Noite (de Elie Wiesel).
Hoje, continuo com Boca do Inferno, mas passei para o 2º da trilogia/tríptico de Wiesel, Amanhecer.
A pergunta remete para o humor de um, e para o horror do outro.

quarta-feira, novembro 28, 2007

Leituras

Um dos futuros cunhados gozava comigo, por causa da lista de livros, aqui no lado direito.
Fazia ele um boneco meu, agarrado ao livro enquanto pagava, dando a noção de o já ter lido, enquanto o pagava.
Nada mais longe da verdade.
Na realidade sinto-me nú sem um livro. Dificilmente me apanham na fila de um banco, nas finanças ou na Segurança Social sem algo para ler. Seja jornal ou livro. Estamos, em Portugal, no reino do analfabetismo funcional.
Toda a gente sabe ler, mas poucos o praticam. Assim, como o acto de governar. Pode parecer que leio muito, talvez. Mas, em contrapartida, pouca tv vejo. Das 21h à 1h da manhã, por norma, estou no quarto, com alguns livros em cima da cama ou ao meu lado.
Ler é para mim uma aventura. Uma forma de crescer. De aprender. De viajar. De apreender técnicas. De apreender uma boa história (às vezes). De esquecer o que está à minha volta.
Adoro filmes, dvds, séries de tv. Mas não os troco por um bom livro. Há que prioritizar.

terça-feira, outubro 02, 2007

Leituras

Comprei, inicialmente para a namorada - ainda não era noiva(!), o livro de Jodi Picoult, O Décimo Círculo.
Confirmara na internet o ruído do sucesso. Bestseller em vários países procurei um livro da autora que me parecesse de temática mais difícil de abordar. Escolhi este décimo Círculo porque além do tema da violação, abordava também a temática do Inferno de Dante, daí os círculos.
Acrescente-se que Daniel, o pai da vítima, é autor de BD e o próprio livro tem dentro de si um comic book para apostar neste título. Não posso dizer que tenha saído chamuscado.
O livro é duro e cruel quando o deve ser, mas acima de tudo não trata nenhum assunto ou sentimento com paninhos quentes, não sei como serão os outros livros da autora, mas este convenceu-me.
Claro que há a noção, típica da literatura, que quanto mais desgraças acontecerem maior a libertação final para as personagens. De qualquer modo o que me convenceu foi a forma como os sentimentos são descritos, a forma como o livro é ligeiramente mais completo do que o normal, não sendo infantil. O carácter dúbio daquilo que se sente, a forma como podemos esconder a nossa personalidade e os nossos defeitos, como nos destruímos e "ressuscitamos" das cinzas, como não queremos ver a perda daqueles que amamos e a distância dos e nos relacionamentos são alguns dos temas abordados.
A ler...
(7,5 (quase oito)/10) - a arte da BD é incipiente e confusa, por vezes, e ter Lucífer de óculos escuros é simplesmente foleiro.



JP Simões é o vocalista de Belle Chase Hotel, responsável por um memorável concerto na Aula Magna e one man show por excelência, do Quinteto Tati e artista por conta próopria.
Escreveu há uns anos a Ópera do Falhado, que não li, nem vi, e editou agora, juntamente com André Carrilho, o interessantíssimo O vírus da Vida.
Pequeno livro, de curtas e mordazes narrativas, O vírus da Vida é uma crítica à actual forma de vida. Bem humorado, Jp Simões destrói a imagem feliz que temos da vida do século XXI. Pessoas que já não são capazes de viver, ainda que o tenham de fazer, sem a ajuda da tecnologia. Lê-se de uma penada, mas traz algo mais à figura artística de JP Simões. A ler.
8/10

quarta-feira, setembro 19, 2007

Adoração

Humanos como somos gostamos de discutir amiúde sobre o sexo dos anjos (uns mais amiúde do que os outros).
Nisto os Cristãos têm experiência. Gostamos de discutir sobre o que não tem importância, muitas das vezes.

Um dos temas mais quentes é o da adoração. Não o que é em si (que mitigaria muitas das discussões seguintes), mas o como, o porquê e o que acrescentar.
Li (reli parte) de um livro chamado Return to Worship: A God-Centered Approach de Ron Owens. O livro é epistolar e divide-se em duas partes. Na primeira lemos cartas à igreja, e tem a ver com a noção de adoração, partindo de textos tanto do Antigo como do Novo Testamento, e a segunda parte temos cartas aos líderes da igreja e aos que lideram o louvor. Parece-me um livro extremamente útil, equilibrado, e de alguém que teme a Deus.
Muitos dos temas abordados são questões que me têm inquietado ao longo dos anos, umas mais do que outras.
Owens fala do estilo, mas não se perde, do objectivo da reunião, de quem toca e canta e se são salvos ou não, da interacção entre a equipa de louvor e o pastor (temas mais recorrentes na segunda parte, como é lógico).
Um livro a ler.

Se quiserem comprar podem fazê-lo aqui ou no link acima colocado.

segunda-feira, setembro 17, 2007

Bala Santa

Li Bala Santa, o livro que continua o sucesso O Último Papa.
Depois de "explicada" a morte de João Paulo I, avançamos agora para a tentativa de assassínio de João Paulo II e para os negócios financeiros da Igreja Católica.
Há uma alteração de estilo, tornou-se mais pomposo, menos reactivo em termos de acção e mais explicativo, o que nem sempre é mau, mas...neste caso tem a ver com encher chouriços.
(A minha opinião tem a ver com este díptico)
Luís Miguel Rocha tem ideias fortes e convincentes, na maior parte das vezes. Os finais tendem a ficar em aberto, por razões óbvias. se no primeiro livro achei que Miguel Rocha poderia crescer em termos de estilo, já que havia passagens forçadas, problemas de pacing, etc. Neste livro acho que se perdeu muito do positivo, e apostou-se no tamanho. Aumentaram as passagens forçadas, há demasiadas descrições supérfluas, o formato Dan Brow (3 ou 4 acções diferentes que se interligarão lá mais para a frente) é por vezes um pouco ridículo.
Continuo a considerar o forte do livro o argumento, mas não necessariamente a concretização deste. Se gostam de teorias da conspiração e têm tempo leiam. Se não.........

5/10

sábado, agosto 25, 2007

Leituras

O Reino de Deus está dentro de nós, crentes. tudo o que precisamos é desacelerar o tempo humano e tirar tempo para ouvir. Deus está lá todo o tempo.

Leituras

Qual foi a verdade básica que libertou Mª Madalena?
O reconhecimento que Deus a ama com um amor extraordinário. Ora, esse dom - não a cognição intelectual, mas a consciência da sua experiência - é mediado pelo Espírito do Cristo crucificado. A experiência pessoal viva do amor de Jesus Cristo é o poder e a sabedoria que ilumina, transforma e transfigura Mª MAdalena.
Brennan Manning - Convite à Loucura (adaptado)

sexta-feira, agosto 03, 2007

António Costa e o Zé

Para quê comentar quando o Eduardo já disse tudo?
Dando de barato o nonsense do “acordo”, há aqui um ponto que não deve ser escamoteado: se, antes do escrutínio de 15 de Julho, Costa tivesse sequer sugerido a possibilidade de um “acordo” ulterior com José Sá Fernandes, mesmo sem pelouro, perdia logo um terço dos seus potenciais eleitores. Está escrito nas estrelas que “isto” vai acabar em desastre. É só esperar pelo próximo túnel. Quem não percebe a evidência, devia meter explicador.
Que o BE deixe de ser a força política para passar a ser partido sério (com tudo o que isto acarreta) não me choca tanto quanto o Pelouro oferecido (ganho) a Sá Fernandes. Depois da birra do túnel? Concordo com o Eduardo, isto vai acabar em desastre.

quinta-feira, julho 05, 2007

Clive Cussler

Estou a ler o meu primeiro livro de Clive Cussler, Valhalla Rising, com Dirk Pitt como protagonista.
A história lida, de algum modo que ainda não consegui compreender, vikings, ou barcos vikings, e começa com o naufrágio de um barco.
Na página 150 (onde vou) Dirk Pitt encontra-se, com mais dois colegas, no meio do oceano, num submarino, perdidos já há uns dias. Como dizia, na página 150 são salvos por um catamarã. Apresentam-se e...
"Pitt studied the old man. 'We´ve met before.'
'Yes, i suspect we have.'
'My name is Dirk Pitt' He turned to the others. 'My shipmate, Misty Graham and Al Giordino.'
The old man warmly shook hands with all. Then he turned and grinned at Pitt.
'I´m Clive Cussler.'
E o autor entra em cena! Ainda hoje pensava numa ideia para texto, ter o escritor a chatear-se com o andamento da trama e acabar com tudo aquilo, mais ou menos espalhafatosamente. Claro que há outras hipóteses, o autor como personagem, o autor como ideia, o autor como deus ex-machina. Ideias há muitas, raramente tenho visto/lido o exemplo em acção de uma forma tão clara!
Tchau, amigos. Vamos lá a ver se o autor transformado em personagem é um deus ex-machina, está a imitar o Hitchcock ou é um dos maus, não me parece, da fita, mas não deixava de ser interessante.

terça-feira, julho 03, 2007

Decepcionado

Tenho comprado os livros que oferecem a Sábado, ou vice-versa...
Tenho ficado satisfeito (mais ou menos) com quase todos.
Os últimos dois deixara-me, por razões diferentes, decepcionado.
De Mário Cláudio não aprecio as crónicas, demasiado verborreicas para o meu gosto, claro que o defeito há-de estar em mim,mas...
O livro de José Luís Peixoto desiludiu-me por completo. Li o que escreveu, há um ano, para a coleção de verão da Visão. Tinha piada, estava bem escrito e era mordaz. Este tem sentido de humor, mas pouco mais. E para quem conhece os romances do autor... é demasiado mau. Pelo menos eu acho, e tirem-me tudo, mas não me tirem a gosto pessoal.

quarta-feira, junho 27, 2007

A Bíblia oferece a cada pessoa e a cada era somente tais respostas às suas perguntas que elas merecem. Sempre acharemos nela tanto quanto buscamos, e nada mais: o conteúdo sublime e divino, se é que buscamos semelhante conteúdo sublime e divino; o conteúdo transitório e histórico se buscamos conteúdo transitório e histórico. A pergunta: "O que está dentro da Bíblia?" tem um hábito mortificante de se converter na pergunta oposta: "Pois bem, o que você está procurando, e quem é você que ousou procurar?" ... Quem está procurando História ou estórias vai preferir, depois de pouco tempo, fechar a Bíblia e abrir seu jornal ou algum outro livro... Não são os pensamentos humanos certos sobre Deus que formam o conteúdo da Bíblia, mas sim, os pensamentos divinos certos a respeito dos homens. A Bíblia não nos diz como devemos conversar com Deus, mas sim, o que ele diz a nós.
Karl Barth - Church Dogmatics (do brasileiro, claro!)
É a erudição ou a piedade o alvo do leitor bíblico? É dirigida à glorificação de si mesmo ou à glória de Deus que possibilitou tudo isso?
James Houston, comentando a passagem acima.